Cáritas realizada 5° Semana Social Brasileira em Valadares




A Cáritas Diocesana de Governador Valadares em Minas Gerais atendeu ao chamado da CNBB e está mobilizando seu município para debater a questão. De 28 de agosto a 04 de setembro promoverá as oficinas de debate, Estado e Reforma política, política pública e juventude, reforma agrária, além da realização de uma reunião especial na Câmara de Vereadores.

Além disso, 5 de setembro, acontecerá a “Caminhada da 5° Semana Social Brasileira” no Bairro Santa Rita, convocando os cidadãos a anunciar o Estado que os valadarenses querem e precisam.

Na mesma semana, está previsto, também, o encerramento do processo de mobilização de Governador Valadares “por um Brasil melhor”, com a participação de todos os envolvidos na Semana Social para o Grito dos Excluídos, dia 7 de setembro, que conclama a juventude com o tema “Juventude que ousa lutar, constrói o poder popular”.

Projeto amplia controle sobre uso de agrotóxicos em Minas


27/08/2013 12h19

Dados sobre compra e venda desses produtos, além da identificação de compradores, terão que ser comunicados mensalmente

Deputados aprovaram parecer pela legalidade do PL 2.686/11. A proposta segue agora para receber parecer de 1º turno na Comissão de Meio Ambiente

Deputados aprovaram parecer pela legalidade do PL 2.686/11. A proposta segue agora para receber parecer de 1º turno na Comissão de Meio Ambiente - Foto: Ricardo Barbosa

Tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) um projeto de lei (PL) que tem o objetivo de colaborar para impedir danos ambientais provocados pela pulverização indiscriminada de produtos químicos nas lavouras. O PL 2.686/11, da deputada Liza Prado (PSB), recebeu, nesta terça-feira (28/8/13), parecer pela legalidade juridicidade e constitucionalidade na Comissão de Constituição e Justiça. O relator foi o deputado André Quintão (PT), que apresentou o substitutivo nº 1, ou seja, uma nova redação ao projeto para adequá-lo à legislação existente. A proposição, que tramita em 1º turno, segue agora para receber parecer na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

O projeto original determina que fornecedores de produtos agrotóxicos deverão criar um cadastro de consumidores desses produtos, bem como colocá-lo à disposição para consulta. Além disso, entre outras providências, obriga revendedores a informarem mensalmente ao Governo do Estado quantos e quais agrotóxicos adquiriram e comercializaram, bem como a identificação dos compradores. De acordo com a autora, a matéria propõe uma fiscalização mais efetiva do uso desses fertilizantes no solo mineiro.

No entanto, o deputado André Quintão (PT) informou que já existem legislações regulando esse assunto, tanto no plano estadual quanto no federal. Por isso, com o intuito de aproveitar a boa intenção da proposição, optou pela apresentação do substitutivo nº 1, que aperfeiçoa a Lei 10.545, de 1991, que dispõe sobre produção, comercialização e uso de agrotóxico e afins.

Dessa forma, o relator sugere que o teor do artigo 2º do PL 2.686/11 seja incorporado à Lei 10.545, por meio do acréscimo do artigo 8-A: “Ficam os revendedores de produtos agrotóxicos obrigados a informar mensalmente, até o dia 10 de cada mês subsequente, às Secretarias de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, de Saúde e de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a quantidade dos diversos produtos agrotóxicos adquiridos e comercializados, nominando-os e qualificando-os, bem como a identificação dos compradores, sejam eles consumidores finais ou não.”

O substitutivo também obriga os revendedores, no ato da venda, a instruir os compradores quanto ao manuseio e ao uso correto dos produtos vendidos e a disponibilizar endereços para onde encaminhar vítimas em caso de acidente provocado pelo uso e aplicação desses produtos.

Doação de imóveis – A comissão aprovou ainda pareceres pela legalidade de quatro projetos de lei que tratam da doação de imóveis para os municípios de Cachoeira de Minas (Sul), Dom Joaquim, Pará de Minas e Papagaios (todos na Região Central do Estado).

Twitter ajuda pesquisadores a descobrir o que motiva as escolhas alimentares


Fatores mais importantes para as escolhas são custo e conveniência

AFP / Relaxnews Publicação:27/08/2013 12:28

O estudo vai ajudar a entender o que governa os hábitos alimentares das pessoas e o que é importante do ponto de vista de um programa de alimentação saudável
Há muitas razões para que você coma algo. A fome é uma delas, mas a conveniência também conta. Pesquisadores dos EUA estão usando o Twitter como uma ferramenta para ajudar a entender não apenas o que comemos, mas por que escolhemos determinados alimentos.

No estudo, a professora da Universidade do Arizona (EUA), Melanie Hingle, e sua equipe resolveram determinar se a rede social pode ser usada para captar, em tempo real, informações sobre as escolhas alimentares dos usuários e o que está por trás delas. Os fatores mais importantes para as escolhas, de acordo com a pesquisa, foram custo e conveniência.

"Isso nos ajuda a entender o que governa os hábitos alimentares das pessoas e o que é importante do ponto de vista de um programa de alimentação saudável", disse Melanie. "Se eu vou desenvolver um programa para promover a saúde alimentar das pessoas, eu quero saber o que as motiva a comer o que estão comendo atualmente. Dessa maneira posso criar o programa apropriado.", afirma Hingle.


Na pesquisa, 50 voluntários com idades entre 18 e 30 anos ganharam contas no Twitter específicas para o estudo e postavam tudo o que comiam ou bebiam em tempo real por três dias consecutivos. Havia também uma lista de 24 hashtags para categorizar tipo de comida e a razão para comer. Eles também tiveram que postar fotos de suas refeições.

Depois de coletar os dados, pesquisadores usaram um programa de computador para mapear as correlações entre o que estava sendo ingerido e o motivo da escolha.

"Nós pudemos visualizar as relações entre comportamento e as razões para esses comportamentos de um jeito que nunca nos foi possível antes", disse a pesquisadora. "Isso nos permitiu realmente ver que há, de fato, relações e estas relações parecem se alinhar com as da literatura, o que mostra que conveniência e custo estão entre os principais motivadores."

"É bom ficar atento com os hábitos, já que muitos dos comportamentos alimentares são inconscientes ou realmente habituais", complementa Hingle. "Tendemos a nos acostumar com um comportamento e nunca mais sair dele, então a pesquisa faz com que você pense sobre o que está te influenciando. Isso pode ajudar a desenvolver novos hábitos ou apenas conscientizar sobre aqueles que não estão fazendo bem."

O estudo foi publicado no Journal of Medical Internet Research.

Mas esta não é a única maneira de os cientistas usarem o Twitter para melhor entender o comportamento humano e como ele impacta a saúde. Pesquisadores da Universidade de Rochester, em Nova York, também usam a rede social para descobrir como fatores como status sociais, exposições à poluição e até pegar um ônibus ou ir à academia influenciam na saúde. Seguindo milhares de usuários nova-iorquinos por um mês, muitos dos quais tuitavam sua localização, pesquisadores puderam estimar interações entre usuários e seus ambientes.

Demanda por alimentos no mundo exigirá maior produtividade, diz IPNI


Agencia Estado

São Paulo, 26 - O presidente do International Plant Nutrition Institute (IPNI), Terry Roberts, afirmou nesta segunda-feira, 26, que será preciso aumentar a produtividade das lavouras para atender a necessidade por alimentos da população em 2050, quando se estima que o mundo terá 9 bilhões de habitantes. Roberts reforçou que fertilizantes são parte importante no crescimento da produção, ainda que sozinhos não possam responder pelo crescimento das safras agrícolas. O executivo apresentou palestra no painel 'Nutrientes para a Vida' do 3º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, que ocorre hoje em hotel de São Paulo (SP).

Roberts afirmou que os rendimentos médios das lavouras de cereais estão abaixo do potencial. No caso do trigo e do arroz, a produtividade é de 64%, e no milho, 50% do potencial. Ele destacou a importância de entender as características regionais para melhorar a produção, além de aprimorar o uso de fertilizantes e biotecnologia.

O executivo ressaltou a importância da biotecnologia, ainda que o melhoramento genético não seja suficiente para aumentar a produção mundial de alimentos em 70% nos próximos 40 anos.

No entanto, Roberts reforçou em sua apresentação que não existe um consenso entre as pesquisas para determinar quanto os fertilizantes respondem pelo crescimento da produção. Em um dos estudos citados pelo representante da IPNI, entre 40% e 60% dos rendimentos das lavouras são ligados aos fertilizantes.

A diretora executiva da Nutrients for Life Foundation (Fundação Nutrientes para a Vida), Harriet Wegmeyer, afirmou que a entidade trabalha para conscientizar a população sobre a importância do uso dos fertilizantes nas lavouras.

'As pessoas olham para fertilizantes e esquecem da ligação entre rendimento das lavouras, crescimento da produção e a comida que elas colocam no prato', disse. Wegmeyer lembrou que o trabalho da organização é focado nas escolhas, nos produtores, mas também olha para a população em geral. A fundação atua nos Estados Unidos, Canadá, México e Colômbia, com recursos das empresas do setor.

Pela primeira vez, brasileiros acima do peso são maioria da população


O excesso atinge 54% dos homens e 48% das mulheres. A pesquisa é realizada desde 2006 e é a primeira vez que o percentual de maiores de 18 anos acima do peso supera os 50% 

 

Agência Brasil

Publicação:27/08/2013

 

Em 2006, 43% das pessoas acima de 18 anos estavam acima do peso ideal. Em 2012, o número saltou para 51%
Pesquisa divulgada nesta terça-feira, pelo Ministério da Saúde, mostra que 51% da população acima de 18 anos estão acima do peso ideal. O excesso de peso atinge 54% dos homens e 48% das mulheres. A pesquisa é realizada desde 2006 e é a primeira vez que o percentual de maiores de 18 anos com excesso de peso supera os 50%. Em 2006, 43% dessas pessoas estavam acima do peso ideal.

“Essa tendência de crescimento ou mostra que todos nós assumimos o tema do excesso de peso como grave para a saúde publica, ou chegaremos muito rapidamente aos mesmos patamares de países como o Chile e os Estado Unidos”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Os dados mostram que, além dos fatores genéticos, o excesso de peso está ligado à escolaridade. É entre as pessoas com menos anos de estudo que está a maior parcela dos que tem excesso de peso. Um total de 57,3% dos que tem até oito anos de estudo está com excesso de peso. Entre os que tem entre nove e 11 anos de estudo, o percentual é 46,7% e entre aqueles com 12 ou mais anos de estudo é 48,4%. “Essa é uma tendência mundial e que tem sido alvo de preocupação”, disse o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa.

A pesquisa mostra que a capital com maior percentual de adultos com excesso de peso é Campo Grande (56%), seguida de Porto Alegre e Rio Branco com 54%, Recife e Fortaleza com 53%. A Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico - Vigitel 2012 - entrevistou 45 mil pessoas acima de 18 anos das 26 capitais e do Distrito Federal.

A pesquisa fornece informações sobre os hábitos da população em relação à alimentação, prática de atividade física, tabagimo, consumo de álcool e existência de doenças como diabetes e hipertensão. As informações são usadas pelo governo para elaborar programas de prevenção de doenças e ações para melhorar a qualidade de vida da população.


A pesquisa fornece informações sobre os hábitos da população em relação à alimentação, prática de atividade física, tabagimo, consumo de álcool e existência de doenças como diabetes e hipertensão

Brasil joga no lixo 26,3 milhões de toneladas de alimentos por ano

Essa quantidade saciaria 13 milhões de famintos e poderia reduzir a inflação

Diego Amorim - Correio Braziliense
Carolina Mansur
Publicação: 26/08/2013 

Nas centrais de abastecimento o desperdício de hortaliças é visível. Há casos em que 40% da produção ficam no caminho entre as fazendas e os supermercados


Brasília e Belo Horizonte – O Brasil esbanja recursos naturais. De tudo se perde. A cada ano, 26,3 milhões de toneladas de comida são jogados fora: volume suficiente para distribuir 131,5kg para cada brasileiro ou 3,76kg para cada habitante do planeta. Toda essa comida alimentaria facilmente os 13 milhões de brasileiros que ainda passam fome, nas contas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Poderia ainda facilitar o trabalho do Banco Central no combate à inflação. Com uma oferta maior de produtos, os preços não subiriam tanto e o país poderia até mesmo diminuir a importação de feijão preto da China.

O desperdício de comida provoca mais do que prejuízos financeiros, gera revolta e inconformismo. Ainda assim, o Brasil pouco se mobiliza no sentido de mudar esse quadro. Desde 1998, a chamada Lei do Bom Samaritano, em alusão a uma passagem bíblica, tramita no Congresso Nacional, e não há previsão alguma para que seja votada. A intenção da proposta é isentar doadores de alimentos de responsabilidade civil e penal, se agirem de boa fé, na distribuição de comida — semelhante ao que ocorre em países da Europa e nos Estados Unidos.

Enquanto essa lei não é aprovada, o Estado brasileiro pune severamente os doadores. A legislação atual prevê até cinco anos de prisão caso quem receba os alimentos sofra algum tipo de dano em decorrência da comida. Com isso, donos de restaurantes, por exemplo, se sentem obrigados a despejar no lixo as sobras diárias da produção. “É um crime”, define o diretor-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Gustavo Timo.

O ajuste na legislação, segundo Timo, poderia ajudar e muito o Brasil a conter o desperdício. “A regra em vigor é completamente inapropriada. Por parte do setor, não falta boa vontade”, insiste o representante da Abrasel, ressaltando que em outros países existem programas organizados de doações, para evitar que toneladas de comida em bom estado acabem no lixo.

Entraves


Combater a assombrosa perda de alimentos, no entanto, é muito mais complexo. O pesquisador Antônio Gomes, do Centro de Agroindústria de Alimentos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), enumera outros entraves, como o manuseio inapropriado dos produtos no campo, as embalagens inadequadas utilizadas no transporte e o armazenamento ineficaz no atacado.

Aprimorar o escoamento da produção agrícola, sustenta Gomes, aumentaria a oferta de alimentos sem a necessidade de alterar a área plantada. Em determinados casos, como o da banana e o do morango, o desperdício no caminho entre a propriedade e a prateleira do supermercado chega a 40%. “Quem arca com esse prejuízo é o consumidor”, lembra o pesquisador da Embrapa, ao explicar que no fim das contas o produto que se perdeu no caminho se converte em aumento de preço.
O desperdício de que fala Gomes é facilmente percebido nas centrais de abastecimento. Por dia, os irmãos Berlândio e Ernandes da Silva jogam no lixo de 50 a 60 caixas de alimentos que, na avaliação deles, não poderiam ser aproveitados. “Às vezes, a comida já chega estragada. Ou então com uma aparência que a gente sabe que a dona de casa não vai comprar”, diz Ernandes.

VIDA REAL
São muitos os brasileiros que diariamente ficam de prontidão nas Ceasas espalhadas pelo país, enquanto funcionários separam as frutas e verduras aceitáveis pelo mercado. “A gente fica sentido, porque, mesmo assim, a perda é muito grande. Tanta gente passando fome e nós aqui jogando essa comida no lixo”, desabafa Berlândio.
Desde que contraiu uma trombose na perna e perdeu o emprego de auxiliar de serviços gerais, Cilene de Sousa Rodrigues, de 47 anos, vai à Ceasa de Brasília duas vezes por semana garantir os alimentos da casa, onde vive com seis pessoas. “Isso aqui é ouro”, afirma ela, segurando uma maçã retirada de uma caçamba de lixo. “Amanhã é dia de verdura”, avisava ela.

Todos os dias milhares de pessoas também desperdiçam comida nos restaurantes. Além de não consumirem tudo o que foi produzido pelos estabelecimentos, deixam comida no prato. No restaurante self-service João Rosa, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, onde cerca de 350 refeições são servidas por dia – uma média de 120 quilos de comida –, a perda chega a ser de 16% do total produzido, cerca de 20 quilos por dia. Em dinheiro, o prejuízo diário varia entre R$ 600 e R$ 800. No mês, considerando 20 dias úteis, pode chegar a R$ 16 mil.

Além da comida que sobra no bufê e vai para o lixo, em função das normas da vigilância sanitária que não permitem o reaproveitamento, a sócia-proprietária Catarina das Graças Artur, conta que parte do seu faturamento também vai embora com aqueles que colocam a comida no prato, mas não comem. “Cerca de 30% não consomem tudo o que servem”, afirma.

Perdas de dinheiro e h
oras no trânsito

O brasileiro tem demorado cada vez mais para chegar ao trabalho. O desperdício de tempo no trânsito, sobretudo nas metrópoles, pode superar uma hora a depender do trecho percorrido. Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceira com a Universidade de Oxford, mostra que a mobilidade urbana pune principalmente os habitantes das cidades mais populosas, onde a renda per capita é maior e a proporção de pessoas com carro também. Nos últimos 20 anos, o tempo gasto no trajeto aumentou 4,5% no Brasil. Esse percentual cresceu ainda mais em Brasília e em Belo Horizonte, onde as taxas foram de 6,2% e 6,5%, respectivamente.

A pesquisa mostra que, em áreas metropolitanas, o deslocamento do brasileiro até o trabalho saltou de 36 minutos, em 1992, para 38 minutos. Em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, passou de 38 minutos para 43, em média. No Distrito Federal, o tempo saiu de 33 minutos para 35 em cada deslocamento, enquanto em Belo Horizonte variou de 32 para 34 minutos.

Prejuízo diário com o que é desperdiçado no self-service de Catarina Artur passa de R$ 600
Transformando tempo em dinheiro, a estimativa é que, ao passar 38 minutos no trânsito, o brasileiro deixe de receber R$ 6,65, o equivalente a pouco mais de meia hora de trabalho. O cálculo considera rendimento médio real, de R$ 1.848,40, divulgado pela Pesquisa Mensal de Emprego de julho, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse valor é dividido pelas 176 horas trabalhadas no mês (44 semanais, segundo a CLT), que resulta na hora de trabalho em R$ 10,50.

O técnico do Ipea responsável pela pesquisa, Rafael Henrique Moraes Pereira, destaca que o tempo de deslocamento nas áreas metropolitanas do Brasil aumentou 4% para os mais pobres e 15% para os mais ricos. A pesquisa revela que com o passar dos anos, os brasileiros de maior renda aumentaram o tempo que ficam no trânsito. Até 1992, o deslocamento dessa parcela da população era nove minutos menor que o registrado pela fatia de baixa renda. Essa diferença, agora, caiu para seis minutos. “Muitas cidades estão se espraiando, o que aumenta as distâncias para todos. No caso dos ricos, os condomínios estão ficando mais distantes”, explica.

Na pesquisa, Pereira ressalta ainda a importância de investimentos em transporte urbano. Curitiba e Porto Alegre, que nos anos 1990 investiram na área, praticamente mantiveram o tempo médio de viagem dos habitantes. “Não existe saída se não repensarmos o transporte público. É praticamente impossível enxergar uma taxa de mobilidade saudável nas grandes cidades em função da pouca oferta de transporte”, comenta.


Rafaela e o marido, Hélcio Lemos, perdem quase duas horas no trânsito: melhor carro que metrô
Cansados de acordar até três horas antes do expediente e ainda enfrentar filas intermináveis na estação do metrô, o representante comercial Hélcio Lemos e a esposa, a publicitária Rafaela Cristine Lemos, optaram por fazer o trajeto de casa para o trabalho de carro. Para isso, perdem quase duas horas no trânsito. “De metrô e ônibus é ainda pior porque estão sempre cheios e perdemos muito tempo esperando um veículo mais vazio”, conta Hélcio. “No fim do trajeto, já estamos bem cansados e perdemos um pouco da produtividade no trabalho, sem contar o estresse”, completa Rafaela. A vontade do casal é transformar o tempo perdido em atividades ou em mais tempo para dormir, mas o que acontece é o inverso. “Acabamos trabalhando mais para não pegar o horário de rush, ficamos mais tempo no trabalho”, lamenta Hélcio. (CM)

Ministério fará compra institucional de produtos de cooperativas da agricultura familiar



O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), fará sua primeira chamada pública para compra de alimentos produzidos por cooperativas de agricultores familiares, por meio da modalidade Compra Institucional do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Os produtos serão utilizados para a composição de cestas de alimentos, distribuídas a grupos populacionais específicos em situação de insegurança alimentar. Os primeiros editais de Compras Institucionais deverão ser publicados em setembro.

Criada em 2012, a nova modalidade permite que municípios, estados e órgãos federais adquiram alimentos diretamente das cooperativas, com dispensa de licitação. Com isso, ela desburocratiza o sistema de compras, além de desenvolver a economia regional. A medida ampliou as perspectivas de ganhos anuais das famílias de agricultores. Hoje, elas podem vender ao PAA até R$ 24 mil por ano, dos quais R$ 8 mil por meio da modalidade de Compras Institucionais.

“O PAA é o maior programa de compras públicas da agricultura familiar. O programa estimula a organização dos agricultores familiares e amplia os canais de comercialização, além de proporcionar à população em vulnerabilidade social o acesso a alimentos mais saudáveis e frescos. A vantagem do modelo de compra institucional está na economia regional mais dinâmica: quem está mais próximo da demanda pode garantir melhores preços, com custo menor de distribuição” explica o secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Arnoldo de Campos.

Na primeira semana de agosto, o MDS reuniu, em Brasília, um grupo de representantes de cooperativas da agricultura familiar para discutir sobre a primeira chamada pública. O encontro serviu para mobilizar essas organizações com a antecedência necessária do início do ciclo de produção. Assim, elas podem planejar o plantio de alimentos para atender à demanda dos editais que serão lançados.

As cestas de alimentos são distribuídas a cerca de 400 mil famílias em situação de insegurança alimentar, além de atender a demandas urgentes, como nos casos de calamidade pública. Em média, cada cesta contém 22 kg de alimentos. A previsão do MDS é adquirir, até meados de 2014, 52,8 mil toneladas de produtos para compor as cestas de alimentos, com investimento previsto de R$ 130 milhões.

Critérios – Poderão participar das chamadas públicas de Compra Institucional do PAA as cooperativas e outras organizações de agricultura familiar que possuam a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) de pessoa jurídica. Além delas, podem participar agricultores familiares, assentados da reforma agrária, silvicultores, aquicultores, extrativistas, pescadores artesanais, comunidades indígenas, comunidades quilombolas e outros povos e comunidade tradicionais com a DAP de pessoa física. Os critérios e exigências para as chamadas serão estabelecidos pela Conab levando em conta a demanda de alimentos para a distribuição de cada região.

Anvisa simplifica normas e isenta taxas para microempreendedores





Proposta de consulta pública da Anvisa, apresentada em reunião pública no dia 22 de agosto, dará condições para que os microempreendedores individuais (MEI) que trabalham com produtos sujeitos à vigilância sanitária regularizem o exercício de suas atividades. O objetivo é garantir a segurança dos produtos e serviços e, ao mesmo tempo, gerar renda, emprego, inclusão social e desenvolvimento para o país. A iniciativa integra o programa do governo federal Brasil Sem Miséria.

Ao apresentar a proposta na reunião pública da Diretoria Colegiada da Anvisa, o diretor-
presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, salientou que “a iniciativa começou a ser construída em 2011 e se apresenta como um elemento de transformação para a prática da vigilância sanitária, ao amparar as pessoas que produzem para que o façam sem risco sanitário”. Barbano também disse que a ação é um marco no âmbito da regulação sanitária no Brasil. A proposta ficará em consulta pública por 60 dias após a publicação no Diário Oficial da União.

A ação é direcionada para o MEI, empreendimentos familiares rurais e empreendimentos econômicos solidários. Além da racionalização e simplificação de normas, a consulta pública prevê a disponibilização de orientações e capacitações ao público alvo e a isenção de pagamento de taxas de vigilância sanitária, entre outros.

Pela proposta, a fiscalização de vigilância sanitária deverá ter natureza prioritariamente orientadora. “Queremos que a vigilância sanitária atue como facilitadora para que esses produtores entrem no mercado formal com produtos e serviços que não ofereçam risco para a saúde das pessoas”, destacou o diretor-presidente.

Os órgãos de vigilância sanitária classificarão as atividades como de baixo ou alto risco sanitário, e esse critério será levado em consideração para a priorização das ações. O texto da consulta pública destaca ainda a necessidade de proteção à produção artesanal, a fim de preservar 
costumes, hábitos e conhecimentos tradicionais.

Geração de renda

A Anvisa realizou 63 reuniões e dois eventos regionais, reunindo cerca de 1.400 pessoas, para construir a proposta apresentada ao público nesta quinta-feira.

A coordenadora da Assessoria de Relações Institucionais da Anvisa (Asrel), Rosilene Mendes do Santos, responsável pela condução da iniciativa, informou que há no Brasil 3,3 milhões de MEI formalizados, contra 10 milhões que ainda trabalham na informalidade. E que esses empreendedores produzem ao ano o equivalente a R$ 8 bilhões.

A coordenadora salientou ainda que 70% dos alimentos consumidos hoje no país têm origem na produção familiar e que, em muitos casos, essa produção é informal.

Participaram da reunião pública diversas entidades do setor privado e público, além de parlamentares e prefeitos. Entre as instituições: Sebrae, Ministério do Desenvolvimento Social, Previdência, Ministério da Agricultura, Secretaria Geral da Presidência da República, Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais,  Fórum Nacional de Segurança Alimentar, Frente Nacional de Prefeitos, Conselho Nacional de Secretários de Saúde, Contag e Associação Brasileira de Bares e Restaurantes.

Participação

A proposta de Resolução estará disponível na íntegra no site da Anvisa após a publicação da Consulta Pública no Diário 
Oficial da União (DOU). As contribuições deverão ser encaminhadas de acordo com as regras que serão publicadas junto com a Consulta.







             
           


Feira da Agricultura Familiar do Comércio Justo e Solidário de Mirabela


Seminário do Cooperativismo de Crédito Solidário - CRESOL


Francisco: uma bela surpresa de Deus. Entrevista especial com Dom Mauro Morelli


“Por causa da convivência com os pobres, Francisco percebeu quais são as questões importantes. A prioridade dele é estar junto desse povo, dar atenção a ele, incentivar que levante e caminhe”, diz o bispo emérito da Diocese de Duque de Caxias e São João de Meriti.


FOTO: D.Morelli



“Francisco é um bispo que Deus colocou no submundo da periferia, por isso convida a Igreja a voltar-se para este mundo”, diz Dom Mauro Morelli, bispo emérito da Diocese de Duque de Caxias e São João de Meriti, no Rio de Janeiro, em entrevista concedida à IHU On-Line pessoalmente. Para ele, o pontificado de Francisco acena para “algumas questões que precisam ser entendidas”. Entre elas, enfatiza, “resgatar a dimensão humana, porque, do contrário, tudo perde o sentido. Com grande determinação afirma sua própria humanidade e o que significa ser gente, comportar-se como gente e comover-se como gente”.





  
Confira a entrevista.


Dom Mauro Morelli esteve presente no encontro do Papa com os bispos brasileiros durante a Jornada Mundial da Juventude – JMJ, e avalia que seu discurso sinalizou para a importância da “conversão pastoral”, para a necessidade de “entender que os bispos são servidores desse povo, portanto, não estão em um andar superior”. E acrescenta: “Conversão pastoral significa entender, aceitar e viver o pastoreio”.
Mauro Morelli (foto abaixo) foi o fundador do Instituto Harpia Harpyia e um dos fundadores do Movimento pela Ética na Política. Fortaleceu a Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida. Esteve à frente da criação do conceito de segurança alimentar como combate à fome e foi um dos articuladores do programa Mutirão de Combate à Desnutrição Materno-Infantil. Foi Promotor de Nutrição  do Comitê Permanente de Nutrição da ONU, e atualmente é presidente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais – CONSEA/MG.

Confira a entrevista. 
IHU On-Line - Como foi seu encontro com Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude - JMJ?
Dom Mauro Morelli – Minha participação na Jornada Mundial da Juventude – JMJ foi muito restrita por várias razões, inclusive por questões climáticas de chuva e frio. Participei da missa na Catedral e do encontro do Papa com os bispos do Brasil. Depois do almoço, cada bispo pode se aproximar brevemente dele para uma saudação, tendo o bom senso de perceber que éramos mais de 200. Ao saudá-lo disse-lhe três coisas. A primeira delas foi: “O senhor é uma surpresa de Deus”. Ele é uma surpresa de Deus porque a Igreja passa por uma profunda crise, e alguém inserido no sistema seria incapaz de ter a liberdade de espírito de entender a crise, e ter coragem de dar passos novos. Por isso, os cardeais chamaram um bispo de longe, que trouxe uma provocação para a Igreja e para a humanidade. Há pouco tempo soube da afirmação membro da Cúria Romana que o Papa escolheu um grupo de cardeais para propor reformas, os quais nada entendem da Cúria. Ótimo que não entendam, porque se entendessem, ficariam impotentes e não fariam modificações.



Após o almoço todos os bispos presentes pudemos saudar o papa e trocar algumas palvras. FOTO: D.Morelli


Uma segunda palavra em referência aos bispos eméritos em seu discurso aos bispos brasileiros, afirmando preservar a participação dos eméritos e dos idosos na Igreja para dialogar com os mais jovens, para  ajudar  a compreender e a entender o caminho. Afirmei com tristeza que sendo 160 bispos eméritos não integramos a CNBB. Em conversa com o cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, entendi que em Gana, seu país, os eméritos são membros da Conferências. No Brasil, o bispo emérito não é membro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB. Se houver um Concilio Ecumênico, a maior reunião da Igreja, o bispo emérito tem participação com direito pleno. Na CNBB, contudo, o bispo emérito é um convidado.


Cardeal Tuckson, presidente de Pontifício Conselho de Justiça e Paz e dom Francisco, bispo em Moçambique. FOTO: D.Morelli


A terceira coisa que disse ao Papa é que me dedico à questão da fome há muitos anos, como é do conhecimento do Cardeal Maradiaga Depois espontaneamente peguei no braço dele dizendo: “Deus te abençoe”, porque ele tem uma grande missão a realizar. Ele deve ter pensado que eu “estou fora do eixo”. (risos)


IHU On-Line – Qual foi sua impressão do encontro com o Papa, e que mudanças vislumbra no pontificado?
Dom Mauro Morelli – Confesso a você que tenho um grau de identificação com o Papa Francisco, porque nosso itinerário de vida pastoral é bem semelhante. Nesse sentido, a experiência de enxergar o mundo a partir da realidade em que se está situado é fundamental e decisivo. Ele nunca ensaiou ser Papa. Dá-me a impressão de ser  autentico, não faz show, é coerente, e cultiva os mesmos valores enquanto bispo em Buenos Aires.
Vivi algumas tensões na vida de bispo, porque uma coisa é entender o mundo a partir da Baixada Fluminense e, outra, entendê-lo do Sumaré. Veja, Francisco é um bispo que Deus colocou no submundo de periferia, por isso o apelo dele é voltar-se para a periferia. Fiquei contente vendo o Papa entrando na casa de família que mora na favela; dando atenção às pessoas, revelando-se muito humano. Tenho certeza de que para muitos que vivem em Roma, essa surpresa virou um susto. Disse recentemente que é uma pessoa indisciplinada e, portanto, ninguém em Roma está seguro, porque não se sabe como o Papa irá agir.
Para o Papa Francisco é de primordial importância resgatar a dimensão humana, do contrário tudo perde o sentido. Sentir-se gente, comportar-se como gente e comover-se como gente. Eis o grande foco de seu entendimento da natureza do pastoreio na Igreja.
Condição humana
Pessoalmente penso que um Papa enfrenta dois problemas: o seu endeusamento na Igreja e a condição de chefe de Estado. O Papa Francisco parece recusar a assumir esses papéis. Na Igreja as coisas devem ser feitas dentro da condição humana, porque ninguém faz nada sozinho. Até o Deus em que cremos é comunitário. Portanto, o Papa está dizendo que tudo na Igreja tem de ser trabalhado de forma participativa, corresponsável,colegiada e sinodal. Essa dimensão é o reconhecimento de que nenhum de nós esgota a verdade, e que ela é maior do que todos nós.
Ele já acenou que o sínodo deve ser mais valorizado e, portanto, não deveria ser apenas uma experiência consultiva. Acredito que no próximo sínodo ele participará e abençoado o consenso.
Recentemente declarou que se sente enjaulado, expressando a vontade de viver com liberdade e não amarrados a estruturas e conveniências.
Reformas
Alguns falam que a Igreja deve vender tudo que tem e doar o dinheiro para os pobres. Essa é uma conversa um tanto desqualificada, porque não se resolve problema dos pobres vendendo museus. Além do mais, a Igreja tem a custódia de herança histórica, cultural e artística, que não pode ser jogada fora. Mesmo que o Papa quisesse se livrar disso, seria um processo lento para encontrar uma equação adequada. Trata-se de um assunto complexíssimo.
Particularmente penso que seria um grande passo se o Papa confiasse as atividades diplomáticas, problemas sociais e ambientais, junto à ONU e Governos à Secretaria de Estado, integrada por mulheres e homens escolhidos dentre os quadros das Comissões de Justiça e Paz, chefiada por um primeiro ministro; cabendo à Congregação dos Bispos em diálogo com as Conferências Episcopais as questões relacionadas ao processo de constituição e provisão de dioceses. Considero importante que a Igreja possa participar de organismos da ONU através de leigos e leigas eminentes na fé e no saber.
Cada Conferência Episcopal poderia ter uma comissão integrada por um delegado do Papa. Esse serviço deveria ser ligado à Congregação dos Bispos, e não à Secretaria de Estado. Hoje o núncio, que é o embaixador, tem em sua mão toda a relação com o poder político e com a Igreja. Ele quem faz os processos de constituição de dioceses e eleição de bispos, sem um bom conhecimento dos país e da realidade. Considero princípio básico que Deus só pede para você fazer alguma coisa que ordinariamente está dentro da condição humana. O Papa tem uma consciência da grandeza da missão e da limitação humana. Vejo que um equacionamento nessas duas direções seria fundamental. Obviamente que a descentralização do serviço, permite encontrar outros mecanismos de participação.
Nós chegamos, na Igreja, a um paralelismo semelhante ao dos governos, com um grau de burocracia que ninguém consegue mais operar. Estamos chegando a um impasse na capacidade de funcionar. Por isso, é importante que o Papa mantenha a sua humanidade. Esses dias ele falou que não pode ir para rua, quer dizer, a ponto chegamos se o pastor da Igreja de Roma não pode mais andar na rua?
IHU On-Line – Que interpretação fez do discurso do Papa aos bispos do Brasil? Como os bispos brasileiros reagiram às mensagens de Francisco?
Dom Mauro Morelli – O ponto fundamental do discurso afirmar que bispo é um pastor. A conversão pastoral é justamente entender que os bispos são servidores desse povo, portanto, não estão em um andar superior. O Papa disse: “Sejam pastores, andem na frente das ovelhas para abrir caminho, no meio delas, para conseguir entendimento e, atrás, para ninguém ficar isolado”. Então, conversão pastoral significa saber, aceitar e viver o pastoreio.
Francisco recomendou que nos livremos da psicologia de príncipes. O processo histórico fez do Papa um rei e, dos bispos, príncipes. No Brasil também sempre construíram palácios para os bispos. Na diocese, a primeira vez que me chamaram de Vossa Excelência, eu disse: “Nunca mais me xinguem com esse nome”. Toda criança que nasce no mundo é excelentíssima e reverendíssima. Quer dizer, é excelente e tem de ser referenciada. Não é porque eu sou bispo que tenho de ser excelência. O Papa demonstra querer romper com essa cultura.
Obviamente, não podemos ignorar a história, mas o Papa pode mudá-la. Francisco desmistificou o papado, mostrando que o Papa também é gente. Além do mais, ele está dizendo que a Igreja está cheia de estruturas velhas e é preciso mudá-las.
Por causa da convivência com os pobres, Francisco percebeu quais são as questões importantes. E a prioridade dele é estar junto desse povo, dar-lhe atenção, incentivar que levante e caminhe. O Papa está dizendo para a Igreja: “Saia de si mesmo e vá para a periferia”. Lembro das diretrizes de Dom Paulo Evaristo Arns. Unidos cada um caminhando numa direção, ou seja, a ordem era os bispos irem para fora, para a periferia; voltando à Catedral no dia de Corpus Christi, para simbolizar a unidade do povo de Deus. O Papa está clamando pela periferia. Sinto-me muito identificado com ele. Alegro-me pelas escolhas que faz, semelhantes às minhas.
Rogo a Deus para que o Papa tenha força e determinação. Penso que ele vai sofrer muito.. Sua missão exige muito amor e doação. Ele não aceita ser enquadrado num molde e num estilo de vida que não corresponde ao Evangelho. Sempre digo que quanto mais humana a pessoa for, mais Evangélica será. A grandeza da vida em comunhão fraterna e solidária é o Reino de Deus. O segmento de Jesus me põe num caminho, no qual a coisa mais preciosa é a vida em comunhão, a integração das pessoas. A essência do Evangelho é a comunhão.