Morrem 5 crianças por minuto no mundo
devido a má nutrição crônica




Relatório divulgado pela organização ‘Salvem as crianças’ indica que 5 crianças morrem a cada minuto, em todo o mundo, vítimas de má nutrição crônica. Ainda de acordo com o relatório, 500 milhões de crianças correm o risco, nos próximos 15 anos, de adquirir sequelas permanentes em seus corpos e cérebros.



A organização afirma que a morte de dois milhões de crianças em cada ano poderiam ser prevenidas se a má nutrição fosse melhor resolvida. A dimensão do fenômeno leva a ‘Salvem as Crianças’ a argumentar que a má nutrição crônica é uma crise escondida que afeta uma em cada quatro crianças no mundo.



A fome tem caído, em termos gerais, nas últimas duas décadas, de forma acentuada, mas o ‘2011 Global Hunger Índex’ identifica seis países com situações piores do que há vinte anos. Cinco estão na África e o outro é a Coreia do Norte.



O índice revela que o Congo, o Burundi, as Comores, a Suazilândia e a Costa do Marfim têm hoje maiores níveis de fome do que em 1990. Ao contrário, o Koweit, a Turquia, a Malásia e o México foram os que conseguiram maiores ganhos contra a fome.



Fonte: Com informações da Associated Press (AP)

CONSEA-MG apoia campanha da Equipe de Ginástica Laboral da CAMG



A equipe de Ginástica Laboral da Cidade Administrativa de Minas Gerais (CAMG) está realizando neste mês, uma campanha de conscientização e luta contra o câncer. Vestidos de preto, eles distribuíram aos servidores, uma alerta sobre o número assustador de casos de câncer no Estado e  orientações de que esse mal pode ser evitado com hábitos saudáveis.

Segundo a fisioterapeuta Lívia Lenoir, é aconselhável que as pessoas façam exercícios diariamente, evite o fumo e o estresse. “Alimentos saudáveis também são fundamentais”, orientou.

Para a nutricionista e assessora técnica do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais (CONSEA-MG), Daniela Perdigão o trabalho da equipe vai de encontro com as ações do conselho. “Trabalhamos com a segurança alimentar e também acreditamos que hábitos saudáveis evitam várias doenças, entre elas o câncer. Há pesquisas que comprovam isso. Os maus hábitos, com ingestão de gorduras saturadas, por exemplo, aumentam a propensão de câncer, como o de mama, por exemplo”, afirmou.

Perdemos Dom Ladislau, bispo de São José dos Pinhais (PR) e da CPT Nacional


Caros companheiros,
que surpresa nesta segunda-feira. Um homem maduro e sazonado foi colhido para o Reino da Vida. Associo-me à CPT na sua dor pela partida de Dom Ladislau. O MST e as Pastorais Sociais sempre contaram com sua adesão às caminhadas necessárias para o reconhecimento do direito de cidadania de nossa gente.
Rendamos graças pelo seu testemunho e pelo seu legado. Minha solidariedade ao povo da Diocese de São José dos Pinhais onde marcou presença durante anos como bispo auxiliar e seu primeiro bispo.
Em sua memória caminhemos na  esperança de uma nova terra sem males, sem exclusão e sem fome.
Na fraternidade de Cristo, com um abraço fraterno, preces e votos de Paz e Bem.

+Mauro Morelli
1º Bispo da Diocese de Duque de Caxias - Emérito
Indaiatuba, SP, 13 de fevereiro de 2012   

Documento traz sugestões para reduzir dívida dos Estados

Reunidos em Belo Horizonte, no Debate Público A Renegociação da Dívida dos Estados com a União, representantes das Assembleias Legislativas de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo assinaram um documento com quatro sugestões para reduzir o endividamento de 23 Estados brasileiros que, atualmente, supera R$ 350 bilhões. O evento foi promovido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais e reuniu, ainda, parlamentares de outros Estados, secretários e representantes de instituições que estudam o problema.

Na Carta de Minas, como foi denominado o documento, os presidentes das quatro casas legislativas indicam as seguintes propostas:

a) a substituição do IGP-DI pelo IPCA como índice de correção da dívida, retroativamente à data de assinatura dos contratos;

b) a redução do percentual máximo de comprometimento da receita líquida dos Estados;

c) o ajuste da taxa de juros, para manter o equilíbrio econômico-financeiro do contrato à época da assinatura;

d) a celebração de compromisso de modo a que todo o eventual ganho possibilitado pela renegociação aos orçamentos estaduais seja obrigatoriamente direcionado a investimentos em saúde pública, no enfrentamento da pobreza e na melhoria da infraestrutura.

O documento foi assinado pelos presidentes das Assembleias Legislativas de Minas Gerais, Dinis Pinheiro (PSDB); de São Paulo, Barros Munhoz (PSDB); do Rio de Janeiro, Paulo Melo (PMDB); e pela vice-presidente da assembleia do Espírito Santo, Luzia Toledo (PMDB).

A dívida dos Estados com o Governo Federal foi renegociada com base na Lei 9.496, de 1997, como parte do programa de estabilização da economia, o Plano Real. Na ocasião, foi acertado que a dívida seria corrigida pelo IGP-DI, somado a 9% de juros ao ano. O Estado que liquidasse 10% da dívida teria a taxa de juros reduzida para 7,5% anuais (como Minas Gerais) e aquele que quitasse 20%, pagaria 6% (como os outros três estados do Sudeste). Também foi acordado que os Estados só poderiam comprometer entre 11,5% e 15% da receita líquida real com o pagamento da dívida.

O fato é que a situação do Brasil mudou muito nesses 14 anos. A inflação se estabilizou e a taxa de juros Selic (que atualiza os contratos da União) foi reduzida de 28,8%, em 1998, para os atuais 10,5%, tornando o acordo anterior muito desfavorável, segundo o secretário de Estado de Fazenda de Minas Gerais, Leonardo Colombini Lima. Além disso, a limitação de comprometimento da receita impediu que muitos Estados conseguissem amortizar o saldo devedor e o volume da dívida foi crescendo vertiginosamente ao longo dos anos.

Dívida compromete investimentos em políticas públicas

De acordo com a Carta de Minas, o crescimento descontrolado da dívida com a União reduziu o potencial de investimentos dos Estados na implantação de políticas públicas para atender às necessidades básicas dos cidadãos. “Renegociá-la (a dívida), para reduzir tais encargos, é, portanto, um passo inadiável”, diz um trecho do documento.

Leonardo Colombini afirma que Minas Gerais compromete, atualmente, 13% da receita com o pagamento da dívida, mas mesmo assim, não consegue reduzir o valor principal. A previsão é de que até 2028, quando chega ao fim o contrato, o Estado desembolse R$ 70 bilhões para o pagamento, mas continue devendo R$ 46 bilhões. O valor inicial contratado, em 1998, foi de R$ 11,8 bilhões.

Após o encerramento do acordo, os estados terão mais dez ano para pagar o saldo remanescente, sem limite de comprometimento. Segundo Colombini, Minas teria que desembolsar entre 18 e 19% da receita para liquidar o restante do saldo. “Está na hora de fazer a renegociação”, defendeu o secretário mineiro.

O secretário de Fazenda do Estado de Goiás, Simão Cirineu Dias, que também participou do debate, reclamou que seu Estado já destina 18% do que arrecada para pagar a dívida com o Governo Federal. “Temos que pagar menos da dívida, ou os Estados não sobreviverão”, advertiu.

“Os Estados perderam a capacidade de investir, de realizar obras prioritárias e até mesmo de atender como devem às justas reivindicações dos seus servidores”, reclamou o deputado Bonifácio Mourão (PSDB), relator da Comissão Especial da Dívida Pública da ALMG. Ele sugere que sejam realizados mais quatro debates para que seja elaborado, em conjunto com outros Estados, um plano estratégico para a renegociação da dívida.

Auditoria - O presidente da Comissão Especial da Dívida Pública da ALMG, Adelmo Carneiro Leão (PT), também defendeu a mudança dos indexadores que ainda estão em vigor para permitir a retomada de capacidade de pagamento dos Estados. “Essa é uma dívida eterna”, criticou. Ponderou, no entanto, que é preciso fazer uma auditoria antes da negociação, para evitar que sejam considerados valores que não podem ser considerados como dívida “dos brasileiros”.
A coordenadora executiva do Núcleo Mineiro de Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Eulália Alvarenga de Azevedo Meira, afirmou que os juros pagos pelos Estados ultrapassam as taxas fixadas no acordo, em função do efeito cumulativo da aplicação dos índices, chegando a média de 7,63% ao ano. “Colocaram uma camisa de força nos Estados, que estão em condições de insolvência”, disse.

O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, Sebastião Helvécio, sugeriu que cada Estado faça um levantamento independente de suas próprias dívidas. Ele explicou que os números divergem muito entre as instituições. Para ele, os tribunais de conta devem se aliar às assembleias legislativas para conhecer a real dimensão do endividamento dos estados. Pelos cálculos do consultor da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), professor Sílvio Teitelbaum, a dívida dos estados que pagam a taxa de 6% ao ano, aumentou 471,67% desde 1998, reajuste superior à variação da Selic (443%). “Os estados brasileiros vão parar”, preconizou o especialista, caso a renegociação não se efetive.

Comparações - O deputado Carlin Moura (PCdoB) relembrou o cenário econômico de 1998, com taxa de juros (Selic) de 20%, inflação de 40% e crescimento zero. “Hoje temos outra realidade e é preciso renegociar a dívida”, enfatizou. Para ele, o contrato firmado para atender interesses do Fundo Monetário Internacional não serve para a nação.

Délio Malheiros (PV) defendeu o caminho da Justiça para a renegociação. “O contrato é leonino e ilegal”, definiu. Ele informou que ingressou com uma Ação Popular na Justiça Federal, questionando a evolução do contrato, e a União teria acenado com a possibilidade de conversar.

Já Alencar da Silveira Jr. sugeriu, como medida emergencial, a aprovação, no Congresso, de um projeto de lei que reduz o limite de comprometimento de receita para pagamento dos serviços da dívida. No caso de Minas, esse teto cairia de 13% da Receita Líquida Real para 5%. “Depois a gente poderia conversar sobre a redução dos juros”, frisou.

Deputados defendem novo pacto federativo e redução da dívida

O estabelecimento de um novo pacto federativo e a redução dos juros das dívidas dos Estados com a União foram alguns dos pontos de consenso nos discursos dos convidados que participaram do Debate Público A Renegociação da Dívida dos Estados com a União. Realizado na tarde desta segunda-feira (13/2/12), no Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o debate foi promovido pela Comissão Especial da Dívida Pública.

O evento reuniu presidentes e representantes de Legislativos de vários Estados, entre eles os quatro do Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo), além de outros parlamentares, secretários de Estado, pesquisadores e público em geral. Todos foram unânimes em destacar, também, que a conjuntura atual difere fundamentalmente daquela da década de 1990, quando a maioria das dívidas dos Estados foram contraídas, e, por isso, a renegociação seria também uma questão de justiça.

Na abertura, o presidente da Assembleia de Minas, deputado Dinis Pinheiro (PSDB), ressaltou que “25 estados da Federação se encontram diante de uma dívida impagável” e apontou a necessidade de se buscar uma solução coletiva para pôr fim à concentração de recursos nos cofres da União, que considerou “perversa e malévola”. Lembrou que o país vive um novo contexto e que, ao ser contraída, em 1998, o indexador monetário e os juros estipulados para correção da dívida refletiam condições de mercado que não condizem com a realidade atual, de estabilidade econômica.
Em fevereiro de 1998, quando se estabeleceram as bases contratuais, a dívida total de Minas Gerais com a União era de R$ 18,5 bilhões, saltando para R$ 58,6 bilhões em dezembro de 2011, aumento superior a três vezes em aproximadamente 14 anos. Em 2011, o Governo de Minas despendeu nada menos que R$ 3,3 bilhões com esse comprometimento, quantia que equivale a todo o investimento realizado pelo Estado no decorrer do ano. Mesmo com esse desembolso, a dívida cresceu R$ 3,8 bilhões.

O presidente da Assembleia do Estado do Rio de Janeiro, deputado Paulo Melo (PMDB), confirmando as palavras de seu colega mineiro, observou que a dívida inicial do Rio era de R$ 18 bilhões e, mesmo tendo pago quatro vezes esse valor, o Estado ainda deve R$ 56 bilhões. Segundo ele, o serviço da dívida chega a R$ 4,6 bilhões (quase 13%), recurso que poderia ser usado em áreas prioritárias como saúde e educação.

Na sequência, o presidente do Legislativo estadual de São Paulo, deputado Barros Munhoz (PSDB), disse que seu Estado devia R$ 40 bilhões, pagou R$ 75 bilhões e ainda deve R$ 170 bilhões. “Estamos sendo asfixiados, a Federação está acabando, estados e municípios têm cada vez menos poder”, protestou. E previu que “de Minas vai sair novamente um movimento importante, verdadeira salvação para estados e municípios”. “Vamos fazer valer a Federação”, conclamou.

“No Acre, somos apenas 24 deputados, o Estado é longe, é pequeno, é pobre, mas não vamos ficar fora desta briga”, prometeu o presidente da Assembleia Legislativa do estado amazônico, deputado Elson Santiago (PP).

Presidente da Unale defende anistia para os estados pobres
O presidente da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), deputado José Luís Tchê (PDT-AC), defendeu que, ao invés de pagar juros à União, os estados possam reter os recursos para investir em saúde, educação, infraestrutura e outros setores prioritários. Já para os estados mais pobres, como o Acre, defendeu a anistia total. “Em 2006, Lula anistiou a Bolívia e o Gabão, entre outros países”, disse. “Por que estados pobres, como o Acre, que mantém 85% da floresta (amazônica) em pé não podem ser anistiados?”, indagou.

Lembrando ainda que o Brasil, hoje, financia a construção de um enorme porto em Cuba, acrescentou que, no ano passado, o País arrecadou R$ 1,5 trilhões, dos quais dois terços ficaram com a União e apenas um terço foi dividido entre os estados da Federação.

“Esta é uma data histórica, porque há 15 anos a Unale construiu uma estrutura física preparando-se para este momento”, disse. E lembrou que em agosto do ano passado foi criada uma comissão, presidida pela deputada Aspásia Camargo (PV-RJ) destinada a rediscutir o pacto federativo, acrescentando que, para isso, um dos passos mais importantes é a renegociação da dívida dos estados com a União.

A 2a.vice-presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, deputada Luzia Toledo (PMDB) também se manifestou favorável a uma luta conjunta com os demais estados da Federação e disse acreditar que a presidente Dilma Rousseff será sensível ao tema. Ela manifestou a sua disposição de integrar-se à luta coletiva, considerando a necessidade de todos os estados investirem mais em políticas públicas como saúde, segurança e educação.

Representando o Legislativo do Amazonas, o deputado Adjuto Afonso (PP) também destacou a importância de um novo pacto federativo e da redução da dívida para que estados e municípios possam investir em necessidades básicas da população. Seu colega Artagão de Matos Leão (PMDB), 1o. vice-presidente da Assembleia do Paraná, considerou que os parlamentares têm a obrigação de participar de um debate de tamanha importância e representatividade, enquanto a 1a. secretária da Assembleia de Sergipe, Conceição Vieira (PT), destacou que a questão da dívida dos estados está intimamente vinculada ao pacto federativo e a temas como piso dos professores, saúde e segurança pública. Como sua colega capixaba, também disse acreditar que o Governo Federal se mostrará sensível às necessidades dos estados.

Deputados fazem um minuto de silêncio
A pedido do deputado Rogério Correia (PT), na abertura dos trabalhos, os deputados e demais participantes do evento fizeram um minuto de silêncio em memória das vítimas de acidente com ônibus que transportava militantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE). O acidente ocorreu quando os sindicalistas voltavam de um Congresso em Araxá, provocando a morte de uma professora e duas crianças que ocupavam o ônibus e de dois passageiros de um automóvel. Além disso, 45 pessoas ficaram feridas.

Dívida dos estados é impagável, alerta Dinis Pinheiro

O Brasil tem 25 estados em situação de calamidade e uma federação fantasiosa e capenga. Assim o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado Dinis Pinheiro (PSDB), definiu o cenário que envolve as dívidas dos estados com a União, consideradas impagáveis. Em entrevista coletiva à imprensa, nesta segunda-feira (13/2/12), pouco antes do Debate Público A Renegociação da Dívida dos Estados com a União, ele antecipou parte das discussões previstas para o Plenário e defendeu a renegociação dos débitos.
Dinis ponderou que a União vem fazendo uma verdadeira “agiotagem” com os estados, porque paga juros menores do que aqueles cobrados nas dívidas dos entes federados. “Esse quadro é inaceitável. Temos muitos recursos e prerrogativas na União e, por outro lado, encargos e dificuldades para estados e municípios”, avaliou. A situação, segundo ele, requer de todos muita responsabilidade e patriotismo. Por isso, o movimento suprapartidário que se inicia em Minas e será levado também a outros estados.
A expectativa, de acordo com o presidente, é realizar mais quatro encontros regionais, articulados pelo Colegiado de Presidentes das Assembleias Legislativas e pela União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale). Questionado sobre a necessidade de uma auditoria da dívida, Dinis Pinheiro enfatizou que o foco das discussões é a renegociação. Segundo ele, já existe um posicionamento uniforme entre os estados quanto à necessidade de redução da taxa de juros.
Presidente do Legislativo paulista prevê embate político
O deputado Barros Munhoz, presidente da Assembleia de São Paulo, prevê uma renegociação dura com a União. Por isso, defende que os estados tenham uma proposta objetiva e concreta, definida em Minas, Estado que, segundo ele, agrega os demais e é uma síntese do Brasil. De acordo com Munhoz, quando os contratos foram feitos, no final da década de 1990, a condição era boa para os estados porque a taxa acordada representava um terço dos juros da época.
“Hoje isso é irreal e nenhum estado suporta”, contrapôs. São Paulo, segundo o parlamentar, devia R$ 40 bilhões, pagou R$ 71 bilhões e deve R$ 171 bilhões. Ele espera que o Congresso e a presidente Dilma Rousseff sejam sensíveis ao quadro de “destruição da federação”. “Essa é a questão mais importante para todos os estados, grandes ou pequenos, ricos ou pobres”, completou.
A mudança do cenário econômico em relação ao período dos contratos com a União foi enfatizada também pelo presidente da Assembleia do Rio de Janeiro, deputado Paulo Melo. “Não se trata de defenestrar o acordo, que foi benéfico naquele momento. Mas a realidade mudou”, reforçou. A prova disso, de acordo com o parlamentar, são os juros menores cobrados pelo BNDES nos financiamentos a empresas privadas. “O Brasil empresta a 4%. É menos da metade dos juros cobrados dos estados”, disse.
Para Melo, o que salva os estados de um comprometimento ainda maior é o teto para pagamento dessa dívida, que é, em média, de 13% da Receita Líquida Real, no caso do Rio de Janeiro. Porém, esse teto será extinto em 2028. “Então você vai ter pago mais do que devia, vai dever mais do que pagou e não terá o teto”, anteviu. Para o deputado é preciso negociar a taxa de juros e o indexador dos contratos, que é desumano nos dias de hoje.
Anistia – O presidente da Unale, Luis Schafer, foi além e defendeu a anistia para estados mais pobres. “O governo Lula, em 2006, anistiou países como Gabão e Bolívia. Temos estados do Norte do Brasil que preservaram florestas e não foram anistiados, têm dívida alta”, comparou. A Unale, segundo ele, apoia a discussão dos juros, mas quer também que os estados possam, em vez de pagar a dívida à União, investir em suas próprias necessidades, como educação e saúde. Outras autoridades convidadas para o Debate Público A Renegociação da Dívida dos Estados com a União estiveram presentes durante a coletiva.
ALMG faz debate público com Estados do Sudeste
 para buscar melhores condições de pagamento
 de dívidas com União
Com o objetivo de discutir a renegociação da dívida dos Estados do Sudeste com a União, em busca de condições mais adequadas às suas situações econômicas, a Assembleia promove debate público nesta segunda-feira (13/02/2012), das 14 às 18 horas, no Plenário. A iniciativa é da Comissão Especial da Dívida Pública, da ALMG, presidida pelo deputado Adelmo Carneiro Leão (PT), a pedido do deputado Bonifácio Mourão (PSDB).
A finalidade do evento é, também, definir um plano estratégico de mobilização dos Estados em torno da renegociação e um cronograma de encontros a serem realizados nas demais regiões brasileiras, com vistas a articular um movimento federativo sobre o tema. A proposta inicial é realizar mais quatro encontros: no Nordeste, no Norte, no Centro-Oeste e no Sul do País.
Dívida - As dívidas dos Estados com a União foram contraídas nos termos da Lei Federal 9.496, de 1997, que permitiu ao Governo Federal comprar os títulos públicos que os Estados haviam lançado no mercado, até então. Em fevereiro de 1998, Minas Gerais fez o contrato da renegociação. Definiu-se que o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), somado a 7,5% de juros, seria usado na correção da dívida. O contrato, válido por 30 anos, estabeleceu, ainda, que Minas não poderia comprometer mais que 13% da receita líquida real do Estado no pagamento dessa dívida.
Atualmente, Minas deve um valor em torno de R$ 70 bilhões, no total. Cerca de 85% desse montante está comprometido com a esfera federal. Para o conselheiro do Tribunal de Contas (TCEMG) Sebastião Helvécio, “o custo dessa dívida é muito alto para o Estado, e o seu pagamento está aquém do razoável".
Propostas - A redução do valor dos juros cobrados e a troca de indicadores para a correção da dívida são algumas das propostas para a renegociação com a União. Não há consenso, no entanto, entre os Estados brasileiros sobre qual seria a melhor forma para a nova renegociação.
Minas Gerais é um dos quatro Estados do País mais endividados e um dos quatro que paga taxa de juros maior. Na região Sudeste, São Paulo e Rio de Janeiro possuem dívidas maiores que Minas, mas possuem receita maior e um custo da dívida menor. Os dois Estados pagam taxa de 6% de juros.

Ipea sinaliza que redução da pobreza em Minas é mais intensa

Minas Gerais vem reduzindo seus índices de pobreza e desigualdade em ritmo maior do que outros Estados do Sudeste e do que a média brasileira. No entanto, possui apenas 9,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do País e 10,3% da população. Os dados foram comentados pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, nesta segunda-feira (13/2/12), durante apresentação da versão mineira da série de estudos “A situação social nos Estados”, no Teatro da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Pochmann também vai participar do Debate Público “A renegociação da Dívida dos Estados com a União”, realizado pela ALMG a partir de 14 horas. O deputado Adelmo Carneiro Leão (PT) acompanhou o lançamento.
O estudo do Ipea mostra a evolução de 34 indicadores entre 2001 e 2009, nas áreas de demografia, previdência social, pobreza e desigualdade, saúde, seguridade, trabalho e renda, educação, cultura, saneamento e habitação. É possível comparar dados dos estados com as médias regional e nacional e descobrir, por exemplo, como está a evolução de Minas Gerais em relação à renda domiciliar per capita, ao combate à mortalidade infantil, às taxas de homicídio e à remuneração do trabalho.
De acordo com Pochmann, Minas apresenta a 9ª maior renda domiciliar do País e a 8ª menor taxa de pobreza extrema entre os Estados. Tecnicamente, considera-se em extrema pobreza os que tinham renda per capita inferior a R$ 67,07 ao mês, em setembro de 2009. Para anos anteriores, o valor é deflacionado segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Em 2001, 9% da população mineira estava nessa situação, índice reduzido para 3% em 2009. É uma queda bem superior à do Sudeste (que caiu de 5,6% para 2,3%) e à do Brasil (queda de 10,5% para 5,2%).

Transferência de renda - Na última década, a redução dos índices de pobreza e a melhora dos indicadores sociais ocorreram em todos os Estados, especialmente no meio rural. Para Pochmann, a ampliação dos investimentos sociais e dos programas de transferência de renda explicam, em grande parte, esse quadro. Esses investimentos se transformaram em estímulo ao crescimento econômico, em uma política que inverteu uma máxima do ex-ministro Delfim Neto, de que era necessário primeiro fazer crescer o bolo para depois dividi-lo. Agora, a distribuição vem antes e é condição para o crescimento. “É um novo modelo econômico implantado a partir de 2004. A distribuição é fermento da ampliação do mercado interno”, afirmou o presidente do Ipea.
No entanto, nem todos os dados divulgados pelo Ipea são positivos para Minas Gerais. Uma das questões mais preocupantes, segundo Pochmann, está na área da segurança. Levando em conta dados da área da saúde, o Instituto concluiu que, no Estado, a taxa de homicídios de homens entre 15 e 29 anos subiu 74,7%, entre 2001 e 2009. No Sudeste, houve uma queda de 37%, enquanto a média brasileira reduziu em 7%. O Instituto usa dados de causa da morte da área de saúde para evitar as disparidades entre os índices governamentais da área de segurança. Esse índice de mortalidade é considerado um indicador importante da violência urbana, uma vez que os homicídios relacionados ao tráfico afetam mais os homens jovens.
Articuladora de Porto Feliz diz que perspectiva é expandir conhecimento sobre segurança alimentar

Luciana Ambrosini diz que um dos desafios é colocar em prática o direito humano
à alimentação adequada e solidária

















Desde novembro, o município de Porto Feliz (SP)  passou a integrar a Rede Sans. No começo deste mês, a articuladora local, Luciana Ambrosini, que é coordenadora de Nutrição em Saúde Pública do município, concedeu entrevista em que fala da trajetória da cidade na área de segurança alimentar e nutricional e expõe as perspectivas para esse setor.

Gostaria que você traçasse um histórico da segurança alimentar e nutricional no município de Porto Feliz.

A segurança alimentar e nutricional no município de Porto Feliz iniciou no ano 2005 através de Dom Mauro Morelli, na época em que ele era presidente do Consea (Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional) São Paulo. Então, desde 2005, nós temos trabalhado as ações com os agricultores familiares, com a questão da saúde e da merenda escolar. Um dos grandes esforços hoje que a gente tem é a questão da agricultura familiar. Então, nós temos cerca de seis cooperativas de agricultores familiares que produzem atualmente 96 tipos de produtos. Esses produtos, eles são fornecidos para entidades e também para a merenda escolar. A merenda compra os alimentos, hoje, as frutas, legumes e verduras provenientes do Programa de Aquisição de Alimentos. Hoje, então, o agricultor consegue sobreviver através do seu trabalho, na questão da roça, e a comunidade consegue através da doação desses alimentos ter uma melhor qualidade de vida. A gente tem o mapeamento de insegurança alimentar de todos os municípios que são abrangidos pela Estratégia de Saúde da Família e, através desse mapeamento, nós conseguimos verificar quantas famílias vivem em insegurança alimentar grave, moderada ou leve e, a partir desse diagnóstico, nós elaboramos nossas ações de segurança alimentar. Nós temos desde 2006 o Conselho Municipal de Segurança Alimentar, realizamos duas conferências. Dessas duas conferências nós elaboramos um plano municipal de segurança alimentar. Nós temos esses próximos dois anos pra colocar em prática. Um dos grandes pontos positivos, na verdade, é a questão do apoio do poder político, além da participação da sociedade civil através do Conselho Municipal de Segurança Alimentar.

E como o município passou a integrar a Rede Sans?

Nós conhecemos a professora Maria Rita (articuladora geral da Rede Sans) na época em que o Dom Mauro Morelli ainda era presidente do Consea. Nós participamos de vários congressos e voltamos a reencontrar a Maria Rita na Conferência Estadual de Segurança Alimentar. Por parte dela, nós recebemos o convite até pelas ações que o município tem desenvolvido.

Quais as contribuições que esse trabalho em rede pode trazer na área de segurança alimentar e nutricional de Porto Feliz?

A gente espera poder contribuir com as nossas experiências, aprender com as experiências dos demais municípios, fortalecer ainda mais essas ações e políticas públicas de segurança alimentar e, realmente, poder expandir o conhecimento de segurança alimentar tanto para a comunidade, quanto para os conselheiros de segurança alimentar. É... fazer com que o poder público, ele enxergue a importância da segurança alimentar como um direito. O alimento saudável como um direito humano do indivíduo.


E quais as perspectivas de atuação e planos para esse setor?
Existem vários desafios pela frente. A gente quer expandir os projetos de segurança alimentar. Atualmente, o município tem um projeto em destaque que é o Proquali – Programa de Reforço e Qualificação Alimentar. Na questão da merenda escolar, desenvolver trabalhos de educação nutricional dentro das escolas e, dentro da Rede Sans, conseguir fazer com que todos os professores da rede municipal participem, sejam convidados a participar do Interanutri professor (Interdisciplinaridade, alimentação e nutrição no currículo escolar) e toda comunidade do Interanutri agente ((Interdisciplinaridade, alimentação e nutrição na comunidade). Então, essa é um das nossas expectativas. É a expansão do conhecimento sobre o tema de segurança alimentar. Através do diagnóstico que nós estamos realizando, nós vamos discutir em cima dele, para planejar novas ações. A gente sabe que tem um grande desafio pela frente ainda para realmente poder colocar em prática o direito humano à alimentação adequada e solidária.
Segunda, 13 de fevereiro de 2012

O novo paradigma ecológico do Brasil: são as raposas que estão cuidando do galinheiro. Entrevista especial com Luiz Jacques Saldanha

“Toda vez que deixarmos de consumir um produto feito com material artificial que depois jogaremos fora, estaremos praticando um ato de humanidade e de preservação da vida futura, saudável e natural”, defende o ambientalista.



A prefeitura de São Paulo promulgou em 2011 uma lei que proíbe sacolas plásticas na cidade a partir deste ano. A questão tem levantado polêmicos debates em torno desta mudança, que envolve supermercados, consumidores, ambientalistas e a indústria plástica. Para refletir sobre alguns aspectos deste tema, a IHU On-Line entrevistou por e-mail o ambientalista Luiz Jacques Saldanha, que defende a necessidade de se propagar informação e conhecimento sobre os males provocados pelas moléculas presentes nas sacolas plásticas à saúde humana e animal. Para ele, “ou os espaços que têm o compromisso de compartilhar o conhecimento, verdadeiramente ‘conheçam’ e compartilhem esta outra forma de estar no mundo, ou estaremos vivendo uma grande pantomima e um grande faz-de-conta, extremamente tristes e melancólicos. Outros caminhos serão paliativos e superficiais, porque não estarão fundamentados numa mudança de paradigma, mas sim de pequenos hábitos, manhas e fricotes da pequena burguesia”. E continua: “não é a cidadania, os centros de pesquisa, os centros universitários, os fóruns sociais, as ONGs ambientalistas, as donas de casa e as mães que estão na vanguarda desta transformação. São os negociantes”. E Jacques afirma que no Rio Grande do Sul não há muita consciência ambiental em relação ao uso das sacolas plásticas e da produção de lixo: “o estado hoje vive só da falsa fama de ser ‘ecologicamente correto’”.
Luiz Jacques Saldanha (foto), ambientalista, é engenheiro agrônomo e bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS.

Confira a entrevista.
IHU On-Line - Qual sua opinião sobre a proibição paulistana (e em outras cidades também) de supermercados distribuírem sacolas plásticas para que os clientes transportem as compras?

Luiz Jacques Saldanha - Sem dúvida que, mesmo atrasada em relação a outros países muito menos “letrados” do que nós, como Bangaladesh e países mais pobres africanos, esta decisão é importantíssima no atual estágio que o Brasil se encontra. Principalmente ao ser o anfitrião da reunião da ONU, a Rio+20, em junho próximo.
IHU On-Line - Didaticamente falando, em que sentido as sacolinhas plásticas mais impactam o meio ambiente?

Luiz Jacques Saldanha - Acabo de traduzir e colocar no site que mantenho, uma entrevista com uma cientista e pesquisadora inglesa muito oportuna. Ela mostra que todas as substâncias artificiais, como as que formam a resina plástica, os plastificantes e os aditivos que compõem o produto final “sacolinha plástica”, ao entrar no ambiente, desprendem-se do produto que negligentemente pegamos no supermercado e, através da cadeia alimentar, chegam aos nossos organismos, principalmente ao da mãe grávida. Por absoluta incapacidade e impossibilidade, a mãe gestante não tem condições de impedir, como também não a placenta que envolve o feto, que estas moléculas entrem em contato direto e íntimo com o processo fisiológico do serzinho em gestação e formação. E estas substâncias, importantíssimo salientar, não naturais, ficam circulando no pequeno organismo.

IHU On-Line – E o que estas moléculas, parte da sacolinha, podem causar ao feto?
Luiz Jacques Saldanha - Devemos ter em mente que cada instante, cada segundo, cada passo e cada momento no processo de desenvolvimento de um feto é único, definitivo e derradeiro. Ou seja, o que se passar fisiologicamente em quaisquer destes momentos não terá, nunca mais, no atual estágio de nossa sociedade, chance de reversão, mudança ou alteração. Assim, o que se constata cientificamente hoje é que estas substâncias, além de estarem feminizando os machos e agredindo a saúde hormonal futura das fêmeas - vale destacar que os humanos estão inclusos -, também estão alterando a capacidade normal dos fetos de construírem suas células de gorduras nas quantidades que precisarão naturalmente quando forem crianças ou adultos. Estas substâncias artificiais estão fazendo com que haja uma proliferação fisiológica, sem controle natural, no processo de desenvolvimento dos fetos. Assim, ao nascerem, levam para seus estágios de criança e adulto a possibilidade de serem, contrariamente ao que seriam se não fossem contaminados, obesos e diabéticos. E isto já desde tenra idade. Então, toda vez que deixarmos de consumir um produto feito com material artificial que depois jogaremos fora, estaremos praticando um ato de humanidade e de preservação da vida futura, saudável e natural. E as sacolas plásticas fornecidas no comércio são o primeiro e definitivo passo para chegarmos, o quanto antes, nas embalagens que envolvem os produtos comestíveis.

IHU On-Line - Quais os caminhos para banir a cultura das sacolinhas plásticas em nossas sociedades?

Luiz Jacques Saldanha - Acho que, em primeiro lugar, estes temas devem ser do conhecimento de todos. Não só do conhecimento, mas da compreensão de cada cidadão planetário. As pessoas precisam saber o que são estas moléculas que hoje inundam o planeta a tal ponto de existir mais de um lixão no mar, onde as pequenas partículas destas sacolas, embalagens, redes de pescar e outros produtos sintéticos, estão “plastificando” o zoo e o fito plâncton, contaminando, assim, toda a cadeia alimentar desde sua origem mais básica. Hoje não temos mais nem o direito de pensar em nosso conforto imediato, hipócrita e presunçoso que pode, de forma imediata, comprometer o futuro da vida como a conhecemos. Penso que todos os colégios e universidades, destacando as que têm por base uma visão religiosa de amor à vida, terrena e espiritual, deverão conhecer e agir em seus seios, de forma que estes temas sejam o grande evangelho de demonstração da prática de amor ao próximo e ao futuro. Não há outro jeito. Ou os espaços que têm o compromisso de compartilhar o conhecimento, verdadeiramente “conheçam” e compartilhem esta outra forma de estar no mundo, ou estaremos vivendo uma grande pantomima e um grande faz-de-conta, extremamente tristes e melancólicos. Outros caminhos serão paliativos e superficiais, porque não estarão fundamentados numa mudança de paradigma, mas sim de pequenos hábitos, manhas e fricotes da pequena burguesia.

IHU On-Line - Qual o papel dos supermercados nesse sentido?

Luiz Jacques Saldanha - Este é o lado triste desta comédia. Não é a cidadania, os centros de pesquisa, os centros universitários, os fóruns sociais, as ONGs ambientalistas, as donas de casa e as mães que estão na vanguarda desta transformação. São os negociantes. São aqueles que vivem da compra e venda e da oferta e procura que se mobilizaram para cumprir uma decisão local. Onde está o governo federal que deveria ser o primeiro, juntamente com os governos estaduais, principalmente os que se apresentam como vanguardas políticas e sociais, buscando um novo patamar para se apresentar na tal Rio+20? Parece que o “papel” de ecologistas e progressistas ficou mesmo para o setor que simplesmente não teria este compromisso de agente de transformação social. Enfim, este é o novo paradigma ecológico que vivemos no Brasil: são as raposas que estão cuidando do galinheiro.

IHU On-Line - Muitas pessoas utilizam as sacolinhas plásticas nas lixeiras domésticas. Há diferença entre elas e os sacos de lixo? Estes são mais biodegradáveis?

Luiz Jacques Saldanha - É fundamental termos bem claro que não existe resina plástica disponível em grande escala que seja “biodegradável”. Para ser “bio” esta resina deveria ser “viva” e as resinas plásticas que temos à disposição não são vivas. São mortas e por isso suas moléculas são persistentes e bioacumulativas. Ou seja, ficam iguais no tempo e não são digeridas pelos organismos vivos. Por isso são “não-naturais”. Inclusive estas que dizem ser oxibiodegradáveis não são degradadas a nível molecular, somente são mecanicamente desestruturadas em seus polímeros, mas não nos seus monômeros.

IHU On-Line - Como essa questão aparece aqui no Rio Grande do Sul? O povo gaúcho é consciente em relação ao uso das sacolas plásticas?

Luiz Jacques Saldanha - Acho que se fosse, não ia ser São Paulo, aquela “babilônia”, que iria “puxar a ponta”. Depois da questão dos transgênicos, no início deste século, considerando que foi pelo Rio Grande do Sul que se instalaram no Brasil, fica claro que o estado hoje vive só da falsa fama de ser “ecologicamente correto”.

IHU On-Line - Como esse debate sobre as sacolinhas plásticas pode nos ajudar a refletir sobre o destino do lixo em nossas cidades?

Luiz Jacques Saldanha - Numa entrevista anterior para o Instituto Humanitas já defendia a ideia de que não existe lixo. O que existe são materiais que estão passando por nossas mãos e que devem voltar, normal e naturalmente, para o ciclo da vida, muito além do ciclo do consumo. Eu e muitos amigos chegamos a pensar em formar um grupo para pedir isenção da taxa do lixo porque nós não produzimos lixo. Tudo é recolocado no ciclo da vida, até a matéria orgânica que, no meu apartamento, vira composto. Mas isso é outra história.

AMÉRICA/HONDURAS - “O país está mortalmente ferido pela violência, pobreza e corrupção” - denuncia o Card. Rodriguez Maradiaga diante do Presidente de Honduras





Tegucigalpa (Agência Fides) - O Cardeal Oscar Andres Rodriguez Maradiaga, Arcebispo de Tegucigalpa, disse diante das mais altas autoridades de Honduras que o país está sangrando, ferido mortalmente pela violência, pela pobreza crescente, pela falta de respeito pela vida e a corrupção em meio às forças da ordem. A violência em Honduras é resultado “do impacto da sub-cultura do tráfico de drogas, da migração irrefreável e da confusão religiosa, consequência de uma ofensiva das seitas” – disse o Cardeal durante a celebração eucarística de 3 de fevereiro para o 265º aniversário da descoberta da Virgem de Suyapa, padroeira do país centro-americano. Participaram da celebração o presidente hondurenho Porfirio Lobo, seus ministros, chefes dos poderes legislativo e judiciário, outras autoridades locais, diplomatas e milhares de católicos hondurenhos de diversas regiões do país.
O Cardeal destacou que as condições de vida em Honduras sugerem que somente a fé e a esperança podem gerar paz, tranquilidade, segurança e confiança recíprocas. Segundo ele, a ‘limpeza’ no corpo de polícia nacional, que esteve implicada em vários crimes, é um "imperativo urgente" e um "duro trabalho". Lançando um apelo àqueles que têm responsabilidades no governo, o Purpurado disse: “não podemos nos deixar vencer pelo mal, mas devemos vencer o mal com o bem; não podemos viver no medo, sequestrados em nossas casas, perseguidos por uma psicose coletiva feita de medos, insônia, pesadelos e lutos”. O Arcebispo de Tegucigalpa recordou também que é preciso ensinar às crianças que “existe um mandamento da lei de Deus que diz: não matar”.
Honduras, com 8,2 milhões de habitantes, está vivendo uma onda de violências que, segundo organizações de direitos humanos e a imprensa local, provoca uma média de 20 mortes por dia. Segundo dados do Observatório da violência da Universidade Nacional Autônoma de Honduras, em 2011 o país registrou 81,5 homicídio por 100.000 habitantes, bem acima da média mundial de 8,8, segundo dados oferecidos pelas Nações Unidas. O governo está levando adiante uma operação de limpeza no âmbito da Polícia Nacionais, dos ministérios públicos e até mesmo da magistratura.
O Cardeal concluiu dizendo que a Igreja católica anunciou uma campanha cidadã para promover uma cultura de paz e de respeito pela vida, campanha organizada junto com a Caritas Honduras e a Conferência Episcopal, orientada para manter a construção de uma sociedade que coloque no centro o respeito, o bem-estar e a segurança da pessoa humana.
(CE) (Agência Fides, 06/02/2012)

AMÉRICA/MÉXICO - Os tarahumara suicidas pelo desespero, pois não têm o que comer

 
 
Cidade do México (Agência Fides) – Os mortos por causa da fome registrados entre a população tarahumara, que reside no atual território mexicano de Chihuahua e em outras localidades do país, onde sobrevivem 28 milhões de mexicanos que não conseguem se nutrir de modo adequado, devem-se às calamidades meteorológicas, à seca ou a geadas. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Geografia (INEGI), 58,5 milhões de mexicanos sofrem de pobreza extrema. De modo especial, fala-se de “pobreza alimentar”, ou seja, não têm o que comer. O Consejo Nacional de Evaluación de la Política de Desarrollo (Coneval) apontou o aumento de 12.5 milhões de pobres nos últimos seis anos. Os programas sociais não começam quando realmente é preciso, mas somente em tempos de eleições. Atualmente, na Serra Tarahumara, foram registradas quase uma centena de suicídios por desespero, devido à carência de alimentos. Abundam estatísticas, documentos, reportagens sobre a situação de penúria na qual vivem milhões de mexicanos na Tarahumara e em outras áreas pobres. Faltam iniciativas e atividades para se chegar à raiz do problema e enfrentá-lo propondo soluções. Muitas famílias não consomem todas as refeições do dia. As crianças vão às aulas com apenas um chá ou um pedaço de pão com feijão. Seja dentro como fora do país, aumentam os pedidos de doações por parte de organizações civis e da Igreja católica para arrecadar alimentos para os indígenas Chihuahua. (AP) (7/2/2012 Agência Fides)

Programa Queijo Minas Artesanal valoriza pequeno produtor mineiro

Com 10 anos de atuação completados no dia 30 de janeiro, o Programa Queijo Minas Artesanal fechou o ano passado com 35 produtores cadastrados e acompanhados de perto em suas atividades. O projeto é uma parceria entre o Sistema Ocemg, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater) e o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), e busca garantir a segurança alimentar, por meio das boas práticas de fabricação para o cadastramento dos produtores, além de incentivar o fortalecimento e a organização do setor.

CONSEA-MG participa de reunião do GT do Programa de Aquisição de Alimentos

Dom Mauro em visita à Agriminas


Técnicos do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais (CONSEA-MG) participam nesta quinta-feira (9 de fevereiro), da reunião do Grupo de Acompanhamento  e Controle Social do Programa de Aquisição de alimentos.
O encontro contará ainda com representantes da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, da Delegacia Federal de Desenvolvimento Agrário e Superintendência Regional da Companhia Nacional de Abastecimento de Minas Gerais.
Dentre os assuntos que serão discutidos estão a formalização do Grupo de Acompanhamento e Controle Social do PAA em Minas Gerais; análise dos resultados da execução do PAA, no ano de 2011, modalidades “Compra com Doação Simultânea” e “Apoio à Formação de Estoques”; formalização de agenda de reuniões para o primeiro semestre de 2012 e a discussão de metodologia para operacionalização do PAA, visando organizar a execução em 2012, com foco nas metas do Plano Brasil Sem Miséria.
A reunião acontecerá às 14 horas, na sede da Superintendência Regional da CEASA, que fica na rua Professor Antônio Aleixo, 756, bairro  Lourdes, Belo Horizonte.

CONSEA-MG participa da reunião do Comitê Estadual da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida




O Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais (CONSEA-MG) participou hoje (dia 6) da reunião do Comitê Estadual da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. O encontro, realizado na sede do Conselho Regional de Nutricionistas (CRN-9), reuniu mais de 25 representantes de diversas entidades e organizações, além de conselheiros do Conselho Regional de SANS (vertentes 1) e Conselho Municipal de SANS, ambos de Barbacena.  


Segundo o assessor técnico do CONSEA-MG, Bruno Melo, dentre os vários assuntos discutidos, ficou acertada a realização do Seminário Estadual de Combate aos Agrotóxicos, com previsão para os dias 14 e 15 de abril.
Nos dias 10 e 11 de fevereiro, acontece em São Paulo, o Seminário Nacional e de Minas Gerais, sairão dois representantes para participar do evento. “Outro ponto discutido na reunião foi a consulta pública da Anvisa, que deverá ser melhor divulgada por todos que fazem parte do comitê.  No próximo dia 15, dois representantes do comitê deverão participar  do Grupo de Trabalho (GT) de Agroecologia da Subsecretaria de Agricultura Familiar (SAF).

Regionalização:

Assim como o CONSEA-MG tem buscado aprofundar sua regionalização, o Comitê tem caminhado nessa mesma direção, com a criação de comitês regionais que serão implantados em Barbacena, Viçosa, Montes Claros, Manhuaçu, Machado e Pouso Alegre. “Desta forma, serão realizadas ações voltadas para a realidade de cada região”, explicou Bruno.
A próxima reunião do Comitê será realizada no dia 23 de fevereiro, a partir das 9 horas, na sede do Conselho Regional de Nutricionistas (CRN-9), localizado à Rua Maranhão, 310, 3º Andar, Santa Efigênia, Belo Horizonte- MG.






CONSEA-MG participa de lançamento do Programa “Posso Mais”

Aumentar a empregabilidade e a qualidade de vida das comunidades de baixa renda, com encaminhamento para o mercado de trabalho e orientação para o pequeno negócio. Esses são alguns dos objetivos do Programa “Posso Mais”  lançado no último dia 4 de fevereiro pela  Rede Nacional de Mobilização Social (COEP/MINAS).
O lançamento contou com a participação de autoridades, representantes de várias instituições e também do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais (CONSEA-MG). De acordo com a assessora técnica Michele Pereira, a proposta é trabalhar com a comunidade, qualificando os profissionais, abrindo espaço no mercado de trabalho e mantendo-os capacitados em suas funções.
O projeto vai beneficiar moradores dos bairros Bela Vista, Bernardo Monteiro, Riacho 3, Monte Castelo e adjacências. Serão desenvolvidas as seguintes ações: cursos de qualificação,  oficinas de geração de renda, orientação para entrevista de emprego, encaminhamento para o mercado de trabalho, fortalecimento das associações comunitárias, entre outras orientações.
O encontro homenageou ainda algumas autoridades com a entrega do Prêmio Betinho – Atitude Cidadã que tem como objetivo valorizar as pessoas que praticam no dia-a-dia a promoção da cidadania. Quer ainda dar rosto, voz e reconhecimento a quem acredita que cada um(a) – a seu jeito – pode fazer a sua parte para construir um Brasil melhor e mais justo.
São indicados ao prêmio pessoas de comunidades que participam ativamente na promoção da melhoria da qualidade de vida na sua região ou pessoas que, não sendo comunitários, participam ativamente e com dedicação pessoal ao trabalho em comunidade.

E AGORA, PARA ONDE VAMOS?

ROMA, sábado, 04 de Fevereiro de 2012 (ZENIT.org) -. Num vilarejo libanês cristãos e muçulmanos convivem pacificamente, isolados do resto do mundo, graças ao colapso providencial de uma ponte. Mas de vez em quando os ecos da guerra, que recomeçou no país, chegam a eles, por meio de uma televisão improvisada, e as mulheres se reúnem em segredo para encontrar um modo de dissuadir os homens do revoltar-se novamente uns contra os outros...

O filme E agora para onde vamos? é um hino à paz e à harmonia entre as religiões sem qualquer retórica, porque é baseado na realidade de muitas comunidades multiétnicas do Oriente próximo.
Algumas linguagens são um pouco explícitas entre as mulheres, alguma cena sensual.
Grande habilidade da diretora (também protagonista) no saber dirigir grande diversidade de características e conseguir dar-nos a imagem de uma comunidade viva, apaixonada e cheia de humanidade.

O filme, se não prestarmos atenção a algumas perdoáveis arritmias, é uma obra-prima.
A ambientação num pequeno vilarejo isolado do resto do mundo por causa da guerra, em um tempo não especificado, dá ao filme características de uma história que pode falar-nos sobre um tema universal, a paz.

Misturando comédia, fábula, drama e musical com uma capacidade de fazer-nos sorrir com coisas muito sérias, de uma forma que não se via desde os tempos de La Vita è Bella (1997) de Roberto Benigni.

Nesta pequena comunidade vivem juntos cristãos e muçulmanos que se conhecem desde crianças e gerenciam pacificamente seus negócios na sombra de uma mesquita e de uma igreja; porém mais para além de uma ponte, que foi providencialmente destruída, há a guerra que de vez em quando, por meio de imagens de uma TV improvisada, derrama a carga de ódio. O pequeno cimitério do vilarejo, dividido inexoravelmente em dois setores, já está repleto de sepulturas de maridos, filhos e pais que as mulheres de ambos os lados já estão cansadas ​​de ir visitar para renovar as flores e limpar as fotos de lembrança.

Desde os tempos da Lisístrata de Aristófanes é a mulher que sempre demonstrou uma vocação firme para a paz; agora também Nadine Labaki, diretora e ao mesmo tempo atriz (como no seu anterior Caramel), juntamente com outras mulheres do vilarejo inventam de tudo e de todos os encantamentos que podem para distrair os seus homens e evitar que se matem uns aos outros pelo ódio religioso, pela vingança ou simplesmente para defender seu orgulho.

O filme entretém e nos diverte ao mostrar a imaginação dessas mulheres, que conhecendo seus bebezões, procuram distraí-los com um grupo de bailarinas russas que estavam na cidadezinha, sem dúvida não por acaso, ou tentam fazê-los acreditar nas mensagens de uma presunta aparição de uma Nossa Senhora, muito informada sobre todas fofocas do vilarejo... Mas a comédia não é o único registro do filme: quando a tragédia chega inesperada e uma mãe se depara com seu filho morto por uma bala perdida, a tonalidade torna-se heróica e a mulher sabe sufocar seu ressentimento enterrando secretamente a criança para evitar que se torne um pretexto para começar uma cadeia de vinganças.

Poderíamos ficar perplexos, diante da complexidade das problemáticas do mundo meio oriental, pela forma simples e direta com que as mulheres, apesar das várias provocações, são capazes de manter a coerência de pensar sempre e em todos os momentos em como manter em vida os seus maridos (usando às vezes métodos pouco ortodoxos) considerando-se satisfeitas só quando conseguem enterrar as armas fornecidas para o vilarejo. E talvez este seja o modo de afirmar o absurdo de todas as guerras: como é fácil pensar na paz e como se torna estúpido e irracional aqueles que vêem na guerra uma solução para seus problemas.

Muito bonitas são as figuras do imame e do pároco da cidade, unidos primeiramente na harmonia das duas comunidades... e quando se unem com as mulheres na implementação dos subterfúgios destinados a pacificar os ânimos, não se sentem muito confiantes de terem cumprido atos agradáveis às suas respectivas Superioridades Celestes.

Nadine Labaki esteve muito boa ao caracterizar todos os personagens: poucas cenas são suficientes e alguns toques para fazer-nos entrar na vida desta simpática comunidade. É verdade, é uma comunidade de fábula, mas poderia perfeitamente ser o modelo para tantas realidades multiétnicas.

Se tivéssemos que reprovar algo à autora, não é possível negar que o seu ponto de vista seja exclusivamente feminino: enquanto as mulheres são sábias e controladas, os homens são vítimas dos seus instintos, sejam esses de natureza bélica ou simplesmente os de perder a cabeça diante da primeira mini-saia que passa na sua frente.
*
Título Original: Et maintenant on va ou?
País: França, Líbano, Itália, Egito
Ano: 2011
Direção: Nadine Labaki
Encenação: Nadine Labaki, Jihad Hojeily, Rodney El-Haddad
Produção: LES FILMS DES TOURNELLES, PATHÉ, LES FILMS DE BEYROUTH, UNITED ARTISTIC GROUP, CHAOCORP, FRANCE 2 CINÉMA, PRIMA TV CON LA PARTECIPAZIONE DI CANAL +, CINECINEMA, FRANCE 2

Duração: 100
Elenco: Nadine Labaki, Claude Baz Moussawbaa, Layla Hakim, Yvonne Maalouf
Franco Olearo
[Tradução Thácio Siqueira]

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2012 - FRATERNIDADE E SAÚDE PÚBLICA


Arquidiocese de Belo Horizonte, por meio do Vicariato Episcopal para Ação Social e Política, realiza a abertura da Campanha da Fraternidade 2012, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dia 24 de fevereiro às 14h, no Chevrolet Hall - Av. Nossa Senhora do Carmo, 230 - bairro São Pedro, em Belo Horizonte.

Este ano, a campanha tem como tema “Fraternidade e Saúde Pública” e lema: “Que a saúde se difunda sobre a terra” (cf.Eclo 38,8). O objetivo geral da Campanha da Fraternidade de 2012 é “Refletir sobre a realidade da saúde no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção dos enfermos, e mobilizar por melhoria no sistema público de saúde” (p. 12 do Texto-Base).

A Campanha da Fraternidade 2012 ainda apresenta seis objetivos específicos:

- Disseminar o conceito de bem viver e sensibilizar para a prática de hábitos de vida saudável.
- Sensibilizar as pessoas para o serviço aos enfermos, o suprimento de suas necessidades e a integração na comunidade.
- Alertar para a importância da organização da pastoral da Saúde nas comunidades: criar onde não existe, fortalecer onde está incipiente e dinamizá-la onde ela já existe.
- Difundir dados sobre a realidade da saúde no Brasil e seus desafios, como sua estreita relação com os aspectos socioculturais de nossa sociedade.
- Despertar nas comunidades a discussão sobre a realidade da saúde pública, visando à defesa do SUS e à reivindicação do seu justo financiamento.
- Qualificar a comunidade para acompanhar as ações da gestão pública e exigir a aplicação dos recursos públicos com transparência, especialmente na saúde” (cf. p. 12 do Texto-Base da CF).

Obesidade cresce mais entre crianças brasileiras na faixa de 5 a 9 anos


Números divulgados no dia 25 de janeiro pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam aumento do percentual de crianças com sobrepeso e obesidade no Brasil, principalmente na faixa de 5 a 9 anos. Os números referem-se a levantamento de 2010.
O sobrepeso atinge 34,8% dos meninos e 32% das meninas nessa faixa etária. Já a obesidade foi constatada entre 16,6% dos meninos e entre 11,8% das meninas. De acordo com a presidenta do Departamento de Obesidade da SBEM, Rosana Radominski, esse quadro é alarmante.
Já entre as crianças a partir de 10 anos e jovens de até 19 anos, o excesso de peso atinge 21,7% do total dos meninos e a obesidade, 5,9%. Entre as meninas nessa faixa etária, 15,4% mostravam sobrepeso e 4,2%, obesidade.
“Houve um aumento muito grande [do aumento de peso] nesse grupo de crianças [de 5 a 9 anos] quando a gente considera o período de 1989 para 2009”, observou a médica. De acordo com os dados, o sobrepeso nessa faixa etária atingia 15% dos meninos em 1989 e 11,9% das meninas. Já a obesidade tinha 4,1% de índice entre os meninos naquele ano e 2,4%, entre as meninas de 5 a 9 anos.
“Nas crianças de modo geral, a velocidade, em termos de excesso de peso e obesidade, está muito maior do que nos adultos. Isso tem a ver com a mudança da cultura. Hoje, tem uma inversão nutricional”, analisou a especialista, que vê também a influência de programas assistenciais, como o Bolsa Família, na mudança dos hábitos alimentares.
“Começou-se a aumentar a renda das famílias, mas não a educação familiar para que a alimentação fosse corrigida”, estimou Rosana. Com mais dinheiro no bolso, as famílias estão adquirindo maior quantidade de alimentos e não necessariamente os mais saudáveis. Segundo ela, há atualmente maior ingestão de açúcar, de alimentos gordurosos e industrializados, em vez de alimentos naturais.
Outro problema, conforme apontou a médica, é a redução da prática de atividades físicas, “por causa da violência, da dificuldade de transporte e até pelo currículo escolar”. Ela lembrou que as crianças acabam mais confinadas em casa, diante da televisão, do computador e dos videogames e, com isso, ganham sobrepeso.
Segundo Rosana Radominski, entre os adultos os percentuais são maiores: 48,5% apresentavam sobrepeso, em 2010, e 15%, obesidade. Entre os homens, 52,1% tinham excesso de peso e 14,4%, obesidade, enquanto os índices nas mulheres eram, respectivamente, 44,3% e 15,5%.
De acordo com a médica, o Brasil e a China são os países em que a obesidade está aumentando de forma mais rápida no mundo. “Se não houver programas do governo para reprimir a obesidade e uma mobilização de toda a população, a tendência é aumentar [o número de obesos no país]. Acho que é importante o alerta com relação a isso, para que se possa ganhar essa batalha”.

Reportagem de Alana Gandra, da Agência Brasil

POSSO MAIS

Técnicos do CONSEA-MG participam amanhã (4 de fevereiro), do "Programa Posso Mais - Transformação por meio da educação e do trabalho", promovido pelo COEP. O evento será realizado em Contagem, das 9 ás 14 horas.  

Banco de hortaliças ajuda a melhorar alimentação de idosos na Zona da Mata mineira

Horta implantada pela Emater em asilo de Bom Jardim de Minas enriqueceu o cardápio oferecido aos moradores


Divulgação/Emater
Hortaliças raras cultivadas no asilo em Bom Jardim de Minas
Hortaliças raras cultivadas no asilo em Bom Jardim de Minas
 
Azedinha, jacatupé, jambu e taioba. Essas são algumas das hortaliças não convencionais cultivadas no Instituto de Longa Permanência de Idosos Divino Espírito Santo, no município de Bom Jardim de Minas, Zona da Mata mineira. O banco de hortaliças raras foi implantado recentemente no asilo e tem ajudado a enriquecer a alimentação dos idosos. A iniciativa foi possível por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).
No instituto são cultivadas 12 variedades. Com isso, o cardápio servido ficou mais rico e variado. “Temos um ótimo aproveitamento dessas hortaliças. Os idosos aceitam bem e alguns até pedem quando não tem”, afirma a diretora administrativa do instituto, Marileuza Marques de Paula Aguiar.
Entre os pratos que fazem sucesso estão a omelete com peixinho, a salada de azedinha, o jambu (um tipo de tempero usado no preparo de carnes) e a vinagreira, batida com suco. Marileuza Marques conta que os cuidados com a horta são mínimos. “Quase não precisa cuidar. É praticamente só aguar mesmo, bem mais simples que cuidar de hortaliças comuns”, diz.
O banco de hortaliças não convencionais do Instituto de Longa Permanência de Idosos Divino Espírito Santo foi implantado no início de 2011, após um treinamento oferecido pela Emater. As mudas e sementes foram doadas pelo banco de hortaliças raras de Juiz de Fora. “Começamos com seis ou sete variedades. Hoje, essas hortaliças são importantes para uma boa alimentação dos moradores do asilo”, explica o extensionista do escritório da Emater em Bom Jardim de Minas, Bruno Rosa.
Em Juiz de Fora, a iniciativa foi possível por meio de uma parceria da Emater-MG com a Secretaria de Agropecuária e Abastecimento do município, o Ministério da Agricultura e a Embrapa Hortaliças. O coordenador regional de Horticultura da Emater-MG de Juiz de Fora, Noel de Aquino Campos, explica que as cultivares são pouco conhecidas pela população, mas, segundo ele, possuem um bom valor nutricional. “Além disso, essas hortaliças praticamente não apresentam problemas de pragas e doenças, e o seu manejo é bastante simples”, afirma o coordenador.  
Ao todo, em Minas Gerais, existem 42 bancos de hortaliças não convencionais. A iniciativa é uma parceria da Emater-MG com a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), a Embrapa Hortaliças, o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Universidade Federal de Viçosa, as prefeituras e associações de agricultores. A gestão dos bancos é feita em parceria com as instituições envolvidas no trabalho e as comunidades.
A distribuição de sementes e mudas é gratuita, e os interessados podem obter informações no escritório da Emater-MG. A proposta é estimular o cultivo e o consumo dessas hortaliças. “A nossa ideia é promover a mudança de hábito alimentar nas comunidades e estimular a melhoria da qualidade da alimentação e a diversidade, com a oferta de mais opções de vegetais no cardápio das famílias. Buscamos também o resgate de tradições e informações há muito esquecidas por esses grupos”, diz o coordenador de Olericultura da Emater-MG, Georgeton Silveira. Segundo o coordenador, a previsão para 2012 é de que sejam lançadas três publicações sobre o assunto e implantados mais três novos bancos de hortaliças não convencionais.