Quem são os donos do cardápio infantil?




Há 40 anos trabalho como Nefrologista Pediátrica. Não recordo de ter identificado, antes dos anos 90, um único caso de pressão alta em criança que não estivesse relacionada a algum problema grave como doença nos rins, nas artérias renais, na aorta ou a tumores raros. Pressão alta era uma doença de adultos. Era!

Infelizmente, na última década, mais crianças passaram a sofrer de hipertensão arterial, uma doença crônica, isto é, que se arrasta por toda a vida e que necessita de medicação continuada. E qual a causa dessa repentina mudança? Múltiplos fatores podem causar a pressão alta mais comum - também chamada de hipertensão arterial essencial - mas os principais são a combinação de obesidade e ingestão de quantidades excessivas de sal na alimentação.

Antes de seguir em frente, é preciso que se diga que a pressão alta não é um probleminha qualquer. É fator de risco importante para infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (os derrames cerebrais), entre tantas outras consequências. E o resultado da obesidade iniciada na infância é o aparecimento de hipertensão arterial em crianças e adolescentes, de diabetes melito, doenças vasculares como infarto do miocárdio, tromboses, derrames cerebrais e todas as suas complicações.

Bem, mas não é de hoje que o sal está presente na alimentação humana. Então, por que agora estaria prejudicando também as crianças? O problema não é exatamente o sal, mas sim o sódio presente nele e é esse último que causa o aumento da pressão. É aí que entram os alimentos industrializados ou altamente processados. Há muita diferença na quantidade de sal (cloreto de sódio) colocado numa refeição cotidiana preparada em casa e os tais produtos industrializados. Nesses, o sódio está presente, além do sal, na estrutura dos conservantes e aromatizantes, usados para aumentar o período de validade ou para realçar o sabor, resultando em quantidades exageradamente grandes de sódio.

Nesse contexto, é preciso considerar que os hábitos alimentares dos brasileiros mudaram significativamente nos últimos anos. Saímos do feijão, arroz e bife para as comidas congeladas, as pré-prontas, os salgadinhos, os biscoitos e refrigerantes. Atraídas por propagandas fascinantes que prometem um mundo de sonhos em um pacote de salgadinhos ou um pirulito, por brindes-brinquedos e pelas intermináveis coleções, as crianças se tornaram as principais vítimas desses alimentos e passaram a influenciar nas compras de toda a família. Sem entender o que leem ou sem ler o que informam os rótulos, os pais também se seduzem pelos coloridos sinais de adição a anunciar + ferro, + cálcio, + vitaminas. Na verdade, estão comprando gordura, sal e açúcar, crentes de que seus filhos estão sendo bem alimentados. É isso mesmo. Em geral, as fantásticas embalagens coloridas contêm muita caloria e baixíssimo valor nutricional.

Estudos que vem sendo amplamente divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que o brasileiro está ingerindo mais que o dobro de sal da quantidade diária recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 5 gramas, o que equivale a uma colher de chá. O brasileiro, em média, está consumindo 12 gramas ao dia, o equivalente a uma colher de sopa. Muitos produtos que hoje fazem parte da dieta usual de crianças contêm quantidades exageradas de sal, sem que os pais percebam o perigo. Você sabe que um pacote de massa instantânea pré-cozida tipo miojo contém 5g de sal, que é a quantidade máxima diária recomendada para um adulto? Haja rins para dar conta!

Pesquisa publicada neste janeiro por um grupo da Filadélfia, no American Journal of Clinical Nutrition, uma importante revista da área, mostrou a relação entre o desenvolvimento da aceitação do gosto salgado e uma alimentação complementar, administrada a bebês, contendo amido (batatas, arroz, trigo, pão, bolachas). Foram comparados dois grupos de lactentes: um recebeu alimentação complementar com amido e o outro só comeu frutas em complemento ao leite. A aceitação para o gosto salgado já estava presente aos seis meses nos lactentes alimentados com amido e ausente nos que receberam só frutas. Os lactentes do primeiro grupo apresentaram maior probabilidade de lamber o sal da superfície dos alimentos na pré-escola, bem como de comer sal puro. Assim, segundo a pesquisa, experiências alimentares bem precoces (primeiros meses de vida) exercem um papel muito importante em moldar a resposta ao gosto salgado de lactentes e pré-escolares.

Sabemos que a formação do hábito alimentar se dá desde a gestação até cerca de dois anos de idade. E uma vez consolidado o padrão de gosto, fica difícil mudar. A isso, é preciso associar o padrão de uma infância sedentária em frente à televisão, computador e vídeo games. O resultado tem sido a obesidade. Dados do IBGE mostram que o excesso de peso e a obesidade são encontrados com grande frequência, aos cinco anos de idade, em todos os grupos de renda e em todas as regiões brasileiras. Houve um salto no número de crianças de 5 a 9 anos com excesso de peso ao longo de 34 anos: em 2008-2009, 34,8% dos meninos estavam com o peso acima da faixa considerada saudável pela OMS. Em 1989, este índice era de 15%, contra 10,9% em 1974-75. Observou-se padrão semelhante nas meninas que, de 8,6% na década de 70, foram para 11,9% no final dos anos 80, e chegaram aos 32% em 2008-09.

O tempo de exposição à mídia também vem aumentando. Em média, as crianças ficam mais de 5 horas diárias em frente à TV, tempo superior ao permanecido na escola, que é de 4h30min. Além disso, o padrão das crianças de hoje é acessar varias mídias ao mesmo tempo e em quase todas há inserção de propaganda, ou seja, as crianças ficam expostas a um bombardeio mercadológico. Estudo feito pela Universidade de São Paulo, em 2007, mostrou que 82% dos comerciais televisivos sugeriam o consumo imediato de alimentos ultraprocessados, 78% mostravam personagens ingerindo-os no ato e 24% dos alunos expostos a tais mensagens apresentaram sobrepeso ou obesidade. Já um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde em 2009 identificou que apenas 25% das crianças entre 2 e 5 anos e 38% das crianças entre 5 e 10 anos consomem frutas, legumes e verduras. Guloseimas como balas, biscoitos recheados, refrigerantes e salgadinhos ocuparam o espaço de refeições principais.

E a água? De repente esse bem essencial ao bom funcionamento do corpo humano foi sendo esquecido. Em creches, escolas e hospitais é comum não encontrarmos bebedouros. A água não está franqueada justamente a quem deveria receber estímulo constante para ingeri-la. O estímulo está focado nos sucos industrializados e nos refrigerantes.


E agora, já podemos responder quem são os donos do cardápio das nossas crianças? E quais as conseqüências de seguirmos ao sabor do vento das grandes corporações fabricantes de alimentos? E de não termos controle sobre a publicidade dirigida ao público infantil?

Se o que queremos para nossas crianças não é um futuro de obesos desnutridos, precisamos tomar as rédeas da situação e já. A informação continua sendo a chave-mestra e, pais, educadores e profissionais da saúde precisam saber identificar o que está escrito nos rótulos.  Se tomamos tantas medidas para a identificação de pessoas que entram nas nossas casas e nas escolas, porque não adotamos estes mesmos cuidados antes de permitir a entrada de substâncias no nosso organismo e das nossas crianças? Nunca é demais lembrar que bons hábitos alimentares começam a ser transmitidos na vida intra-uterina, que criança até dois anos não deve ser exposta ao sal e que não se deve colocar açúcar em chás e mamadeiras de bebês. Muito menos achocolatados, que contém açúcar e gordura em excesso.

Seguindo orientações da OMS, estão surgindo políticas públicas para redução do sal nos alimentos industrializados, assim como campanhas de esclarecimento ao público. Foram identificadas ações em 38 países, sendo a maioria na Europa. Já o Brasil recém está iniciando algumas medidas nessa área. Em janeiro deste ano, a Anvisa fez recomendações não obrigatórias para a redução, até 2014, em 10% no conteúdo de sal do pão francês.

Também em países europeus, há regras rígidas em relação à propaganda dirigida a crianças. Em terras nativas, dispensam-se comentários. Felizmente a sociedade começa a dar sinais de reação.

Acreditando que um outro mundo é possível, que tal a gente sonhar com uma sociedade em que a saúde das nossas crianças esteja acima dos interesses das megacorporações?

Noemia Perli Goldraich  é doutora em Nefrologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), pós-doutora em Nefrologia Pediátrica pela Universidade de Londres, professora-associada do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFRGS, nefrologista pediátrica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Doenças Crônicas na Infância da Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS.






D. Mauro participa de debate público sobre “Renegociação da dívida dos Estados”


O presidente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional de Minas Gerais (CONSEA-MG), Dom Mauro Morelli, participa no dia 13 de fevereiro, das 14 às 18 horas, do debate público na Assembleia Legislativa do Estado.
O objetivo é discutir a renegociação da dívida dos Estados do Sudeste com a União, em busca de condições mais adequadas às suas situações econômicas. A iniciativa é da Comissão Especial da Dívida Pública, da ALMG, presidida pelo deputado Adelmo Carneiro Leão, que também é conselheiro do CONSEA-MG.
Durante o evento será definido um plano estratégico de mobilização dos Estados em torno da renegociação e um cronograma de encontros a serem realizados nas demais regiões brasileiras, com vistas a articular um movimento federativo sobre o tema. A proposta inicial é realizar mais quatro encontros: no Nordeste, no Norte, no Centro-Oeste e no Sul do País.
Dívida de Minas com a União
As dívidas dos Estados com a União foram contraídas nos termos da Lei Federal 9.496, de 1997, que permitiu ao Governo Federal comprar os títulos públicos que os Estados haviam lançado no mercado, até então. Em fevereiro de 1998, Minas Gerais fez o contrato da renegociação. Definiu-se que o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), somado a 7,5% de juros, seria usado na correção da dívida.
O contrato, válido por 30 anos, estabeleceu, ainda, que Minas não poderia comprometer mais que 13% da receita líquida real do Estado no pagamento dessa dívida. Atualmente, Minas Gerais deve cerca de R$ 70 bilhões.
Propostas - A redução do valor dos juros cobrados e a troca de indicadores para a correção da dívida são algumas das propostas para a renegociação com a União. Não há consenso, no entanto, entre os Estados brasileiros sobre qual seria a melhor forma para a nova renegociação.
Minas Gerais é um dos quatro Estados do País mais endividados e um dos quatro que paga taxa de juros maior. Na região Sudeste, São Paulo e Rio de Janeiro possuem dívidas maiores que Minas, mas possuem receita maior e um custo da dívida menor. Os dois Estados pagam taxa de 6% de juros.

(Com informações da ALMG)

CARTA ABERTA CRIANÇA E CONSUMO




      Os participantes da oficina Criança e consumo: os donos do cardápio infantil, realizada no Fórum Social Mundial Temático 2012, por iniciativa do Núcleo Interdisciplinar de Prevenção de Doenças Crônicas na Infância da Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS e do e-grupo Criança e Consumo (criancaeconsumo1@gmail.com), decidiram pela publicação desta carta em alerta à população e às autoridades quanto aos riscos à saúde decorrentes de uma alimentação inadequada, baseada em produtos industrializados, que contêm altas taxas de gorduras, sal e açúcar e baixo valor nutricional.
Como consequência:
  1. o excesso de peso, em 2008-2009, já atingia cerca de metade dos homens e das mulheres adultas. Dados comparativos das décadas de 70 a 90 mostram que, neste período, o excesso de peso de meninos (5 a 9 anos) aumentou 3 vezes e de adolescentes (10 a 19 anos), 6 vezes (IBGE), o que comprova que a obesidade é uma doença evolutiva, que se inicia na infância e se perpetua ao longo da vida;
  2. as doenças crônicas associadas à obesidade (hipertensão arterial, diabetes e câncer), antes consideradas doenças de adulto, têm sido diagnosticadas cada vez mais precocemente;
  3. estas doenças estão relacionadas às quantidades excessivas de sal (sódio), açúcar e gorduras presentes em refrigerantes, bolachas recheadas, salgadinhos e massas instantâneas, consumidas pelas crianças.
                O bombardeio publicitário dirigido ao público infantil, associado à desinformação da população, são os verdadeiros donos do cardápio das crianças. 
Conclamamos a população e as autoridades a:
      estabelecer ações conjuntas e continuadas, principalmente das Secretarias de Educação e de Saúde voltadas à educação nutricional e alimentar desde o período pré-natal, com ênfase em creches e pré-escolas;
      enfatizar os benefícios do aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida, da sua continuidade após a introdução da alimentação complementar saudável, assim como dos prejuízos associados ao aleitamento artificial;
      destacar a importância de evitar o acréscimo de açúcar e sal nos alimentos antes dos 2 anos de vida - período vital em que se define o paladar, que acompanhará o ser humano pelo resto de sua vida;
      difundir amplamente para a população, bem como fiscalizar de forma efetiva, onde a alimentação escolar é executada e servida (escolas), o cumprimento das diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE (Lei nº 11.947, de 16/06/2009), que determina a aquisição mínima de 30% de produtos oriundos da agricultura familiar, proíbe a compra de refrigerantes e restringe a aquisição de enlatados, embutidos, doces, alimentos em pó ou desidratados para reconstituição, com quantidade elevada de sódio e de gorduras;
      agregar as universidades públicas na capacitação dos profissionais das áreas de saúde e educação, focada em uma alimentação escolar adequada aos costumes regionais, às condições nutricionais individuais das crianças e às faixas etárias, dos berçários até o final da vida escolar;
      promover, pelo poder público, campanhas de esclarecimento quanto à importância de hábitos alimentares saudáveis na prevenção de doenças crônicas;
      mobilizar os Conselhos Municipais de Educação, de Saúde e de Alimentação Escolar para o engajamento em defesa da alimentação saudável;
      criar uma mobilização nacional pela regulamentação da publicidade dirigida ao público infantil.
       Cada um de nós é responsável pela saúde das crianças. Pense nisso!      
Porto Alegre, 25 de janeiro de 2012

Definidas as bases para continuidade da parceria entre ASA e MDS

A Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) firmaram, nesta quinta (26), em Brasília, as bases para formatação de dois novos Termos de Parcerias que permitirão a continuidade das políticas de convivência com o Semiárido executadas pela ASA, garantindo água para beber e produzir alimentos para as famílias do meio rural. A parceria se materializa no apoio ao Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e ao Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da ASA e inseridos no Programa Água para Todos do governo federal.

Com esta ação, o governo federal, por meio do MDS, confirma o compromisso de continuidade e ampliação das parcerias com a sociedade civil, após uma mobilização que envolveu cerca de 15 mil pessoas em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), no final de dezembro passado e uma série de reuniões entre a ASA e o MDS que vinham construindo, gradativamente, este resultado.

Os novos Termos de Parceria vão garantir o repasse de R$ 138.750.000,00 para ações de mobilização e capacitação de famílias agricultoras e construção de tecnologias sociais de armazenamento de água para consumo humano, produção de alimentos e criação animal.

Do total, R$ 68.750.000,00 serão destinados para que famílias tenham acesso à água potável para beber e cozinhar com a construção de cisternas de placa de 16 mil litros, durante o período de oito meses. E os R$ 70 milhões restantes estão previstos para a implementação de tecnologias sociais de produção de alimentos, num prazo de seis meses.

“Vivemos um momento significativo, com a recomposição da histórica parceria entre a ASA e o MDS. Importante para a ASA por continuar sua ação libertadora de convivência com o Semiárido e importante para o MDS por manter junto a si um parceiro tão ativo e vivo como a ASA. Este momento, no entanto, não marca a vitória da ASA e nem do MDS, mas sim a vitória do povo do semiárido, ao manter ações e estratégias vitais para sua cidadania e liberdade”, avalia Naidison Baptista, coordenador da ASA pela Bahia.

Fonte: Ascom/ASA

Novos desafios do mundo exigem novas respostas



* José Graziano da Silva

Vivemos uma transição. Velhas respostas não aderem mais às novas perguntas. Há urgências que dependem crucialmente de uma travessia. A fome é a mais premente entre elas. A segurança alimentar pode ser uma das velas da baldeação que o mundo reclama, rumo a um desenvolvimento mais justo e sustentável, a salvo da desordem financeira atual.

Para 1/7 da humanidade o lugar da crise é o prato vazio; seu nome é insegurança alimentar. Somos realistas na escolha. Utopia é acreditar que haverá solução para a economia à margem da sociedade.

Erguer pontes entre os extremos da incerteza requer, de um lado, dotar a iniciativa local da contrapartida de cooperação internacional que a revigore e amplifique. De outro, prover a capilaridade indispensável à governança global, hoje desprovida de canais de transmissão que lhe dêem legitimidade na vida das nações.

A primeira providência é acelerar a reforma dos mecanismos de cooperação, incluindo-se aí a estrutura da própria Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a FAO, cuja direção eu assumo em janeiro de 2012.

Fazer dessas instituições uma fronteira avançada da democracia e da nova governança global pressupõe, antes de mais nada, adotar a descentralização como seu idioma operacional obrigatório.

É o que buscaremos. A descentralização representa a alavanca mais realista para dar velocidade aos principais compromissos de nosso mandato: erradicar a fome; acelerar a transição rumo a modelos sustentáveis de consumo e produção de alimentos; promover regras mais justas no comércio de alimentos e, finalmente, reforçar a cooperação Sul-Sul, que se soma à indispensável parceria Norte-Sul.

Cada um desses pilares requer uma contrapartida democrática de coordenação entre a esfera local e a global. Esse lócus precisa ser construído. Sua inexistência explica em grade parte um dos maiores déficits evidenciados pela crise: o déficit de democracia diante da nova morfologia do mercado e da sociedade em nosso tempo.

Não se trata de escolher uma bala de prata, mas de um método que incentive as iniciativas nacionais de fomento agrícola e combate à fome, ao mesmo tempo em que contempla o vazio global de planejamento e participação, realçado pela desordem financeira mundial. A boa notícia é que não partimos do zero. Existe um ordenamento de prioridades sendo construído pela FAO em parceria com os governos, a sociedade civil e os movimentos sociais.

Nossa gestão será construída sobre o saldo desse acervo e os imperativos do futuro. Milhões de vidas em risco e nações em transe dependem do passo seguinte da história. Um número expressivo de países pobres enfrenta redobradas dificuldades para avançar na luta contra a fome e a miséria em meio a uma crise que promete ser longa, corrosiva e abrangente. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura não pode dispensar a esses países outro tratamento que não seja a prioridade máxima. É o que faremos.

As três principais turbinas do mundo rico - Europa, EUA e Japão - foram comprometidas. Juntas, elas representam mais de 70% do PIB mundial. Sem desobstruir a dupla pista da cooperação, feita de capilaridade local e articulação global, as nações mais pobres serão as mais afetadas. Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que tem na segurança alimentar seu eixo seminal, patinam nesse ambiente inóspito.

Nosso desafio é desobstruir rotas e arregimentar energias para revigorá-las. Com sua experiência reconhecida na área de segurança alimentar, o Brasil deve equipar-se institucionalmente para fazer desse trunfo o principal eixo de uma política revigorada de cooperação internacional.

A Agência Brasileira de Cooperação (ABC) reclama maior estrutura: seu orçamento de US$ 60 milhões/ano é 100 vezes inferior ao de similares, como o espanhol e o holandês e 500 vezes menor que o americano. Não se trata de uma gincana, mas de prover meios para intensificar a transferência de conhecimento em áreas onde temos reconhecida liderança.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) deve acelerar sua internacionalização como o maior centro de agricultura tropical do planeta. Para isso precisa se dispor a fazer não apenas cooperação científica com escritórios no Japão, França e Estados Unidos, mas também cooperação técnica com presença compatível com as prioridades da política internacional brasileira para a África, Caribe e América Latina.

O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), não deve subestimar sua experiência ímpar na construção do principal alicerce da luta contra a fome: a participação da cidadania. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e outros organismos afins não podem mais relevar estruturas condizentes com a responsabilidade internacional do país.

A representatividade ampliada do Comitê de Segurança Alimentar Mundial, composto de governos, cientistas, organizações da sociedade civil e lideranças sociais cuidará de levar a "escuta forte", sobretudo das nações mais pobres, para o interior da FAO. Mais que isso, trata-se de reforçar uma cultura de responsabilidade histórica para assegurar a destinação maciça de recursos humanos e orçamentários às tarefas prioritárias. Hoje, mais que nunca, a estrutura não pode sobrepor-se à atividade-fim.

Não são palavras lançadas ao vento. A concepção do nosso mandato obedece à evidência incontornável de que a superação da crise cobra um amplo engajamento na construção de um novo regulador capaz de reconciliar o crescimento e a sociedade em nosso tempo: a justiça social. Somos realistas na escolha: utopia é acreditar que haverá solução para a economia à margem da sociedade. Confiamos no apoio do bom senso engajado para que os nossos compromissos se enlacem ao mundo por meio da ação.

*José Graziano da Silva é diretor-geral eleito da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO na sigla em inglês)



Agricultura familiar do Norte de Minas ganha incentivos através de acordo com Pronaf-Semiárido



BELO HORIZONTE (19/01/12) - Os secretários de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Elmiro Nascimento, e de Desenvolvimento dos Vales Jequitinhonha, Mucuri e do Norte de Minas, Gil Pereira, assinaram, nesta quinta-feira (19), um Acordo de Cooperação com o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), representado pelo seu superintendente estadual, João Mendes Batista, com o objetivo de aumentar a inserção de agricultores familiares do Norte de Minas, Vales do Mucuri e do Jequitinhonha no Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) destinado ao semiárido.
A solenidade foi realizada na Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), em Belo Horizonte. Também assinaram o acordo, o presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG), Maurilio Guimarães, e o vice-diretor geral do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene), Roberto Drapiuna.
A Seapa é responsável pela elaboração do acordo, que propõe intensificar as atividades desenvolvidas por esses órgãos em prol dos agricultores familiares das regiões mais secas do Estado. Espera-se, com essa cooperação, que 1.500 empreendedores familiares rurais sejam beneficiados pelo Pronaf-Semiárido em Minas Gerais.
“O mais importante é realizar um trabalho educativo, que estimule o pequeno empreendedor rural a crescer, fazendo com que ele crie uma expectativa de vida melhor e agregue valor ao seu trabalho”, enfatizou Elmiro Nascimento, durante a solenidade. O secretário lembrou ainda que a parceria vai além das entidades representadas no acordo, incluindo também o trabalho das prefeituras, sindicatos e associações rurais.
De acordo com o termo, cabe à Emater-MG, o trabalho direto com o agricultor. Os técnicos da empresa deverão se envolver mais nos processos dos agricultores que recorrerem ao Pronaf-Semiárido. A ideia é que, além de assistência técnica no campo, eles acompanhem os pequenos empreendedores rurais na parte burocrática junto ao BNB.
Entre as metas estabelecidas para a empresa estão maior agilidade na emissão da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) dos agricultores, o preenchimento dos documentos requeridos pelo Banco, a elaboração dos planos de ação dos agricultores, assim como o acompanhamento dos empreendimentos já implantados.
Assim como o secretário, o presidente da Emater-MG, Maurilio Guimarães, lembrou a necessidade do trabalho de extensão com o agricultor familiar. “A Emater-MG deve focalizar os produtores que tenham interesse e aptidão para produzir, para que com o tempo eles se desenvolvam e aprendam a caminhar sozinhos”.
O superintendente do Banco do Nordeste do Brasil, João Mendes Batista, explicou que o banco mais do que liberar recurso tem o papel de administrar para que não haja o mau uso do dinheiro disponibilizado ao Pronaf. “Monitorar os empreendimentos implantados, assim como analisar os projetos encaminhados ao banco é o mais importante para que se tenha resultado na linha de crédito.”
A Secretaria de Desenvolvimento dos Vales Mucuri, Jequitinhonha e do Norte de Minas (Sedvan) foi formada em 2003 com o objetivo de criar alternativas para as regiões mais secas do Estado. Com a construção de barraginhas e cisternas, os agricultores dessas áreas têm conseguido atingir resultados melhores na produção. Segundo Gil Pereira, o acordo vai colaborar para que haja um salto no Índice de Desenvolvimento Humano dessas regiões.
De acordo com o termo firmado hoje, a Sedvan vai apoiar o trabalho, por meio do Idene, que ficará responsável por indicar comunidades e produtores atendidos em seus projetos que devam ser inseridos no Pronaf-Semiárido.

Plano Agrícola


Nesta quinta-feira (19), o governador Antônio Anastasia lançou, no Palácio Tiradentes, o Plano Agrícola do Norte de Minas e dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. O objetivo é a liberação de R$ 1,55 bilhão, até 2015, por meio de financiamento contratado pelos agricultores e produtores dessas regiões junto ao BNB.
Serão contemplados 167 municípios situados na área de atuação do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), sendo 165 municípios daquelas regiões, além de Arinos e Formoso, localizados no Noroeste do Estado.

FONTE: Agência Minas

Plano Agrícola disponibilizará R$ 1,55 bi para produtores do Norte, Jequitinhonha e Mucuri


 
Anastasia durante lançamento do Plano Agrícola no Palácio Tiradentes

BELO HORIZONTE (19/01/12) - O governador Antonio Anastasia lançou, nesta quinta-feira (19), no Palácio Tiradentes, o Plano Agrícola do Norte de Minas e dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Serão contemplados 167 municípios situados na área de atuação do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), sendo 165 municípios daquelas regiões, além de Arinos e Formoso, localizados no Noroeste do Estado. O plano prevê a liberação de R$ 1,55 bilhão, até 2015, por meio de financiamento contratado diretamente pelos produtores interessados junto ao BNB.
“São valores importantes alocados em uma região do Estado que merece ter essa confiança, esse crédito, esse reconhecimento e esforço, mercê da tenacidade de sua gente e do grande desdobramento que se faz. Sabemos que as sementes ali lançadas frutificam e florescem, trazendo a prosperidade para uma região singular na história de Minas Gerais. O grande Norte, como se diz no vocábulo mais popular, é a bola da vez no sentido positivo da expressão. E estamos com o foco muito grande no pequeno agricultor. Criamos, neste governo, a Subsecretaria da Agricultura Familiar com esse objetivo, de que as pessoas tenham a verdadeira inclusão”, afirmou Anastasia.
O BNB deverá destinar, no mínimo, 50% dos recursos para mini e pequenos produtores, incluindo a agricultura familiar com o Plano Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e, no máximo, 20% para grandes produtores.
A linha de crédito se destina ao custeio, investimento e comercialização da produção agropecuária, entre elas a bovinocultura de leite e corte, fruticultura, produção de cachaça e silvicultura. Ela atenderá agricultores, cooperativas e associações de produtores, além de empresas ligadas às cadeias produtivas. O BNB está destinando ao financiamento agrícola R$ 300 milhões neste ano; R$ 350 milhões, para 2013; R$ 400 milhões, para 2014, e R$ 500 milhões, para 2015. Dependendo da demanda, os valores poderão ser adiantados.
Atenção especial
O lançamento do plano agrícola para atender especificamente o Norte e os vales do Jequitinhonha e Mucuri, regiões onde se concentram alguns dos municípios mais pobres do Estado, faz parte das ações do Governo de Minas para reduzir as diferenças regionais e oferecer melhores oportunidades de geração de emprego e renda à população.
“É uma região que tem merecido, ao longo dos últimos anos, uma atenção muito especial, porque é uma região com imensa potencialidade na área agrícola, industrial, na área de serviços, na área mineral. Ou seja, é uma região rica que ficou, durante muitas décadas, um pouco afastada do centro de esforços dos governos como um todo para a prosperidade e a criação de valor agregado. Mas, felizmente, esse período passou. Somos testemunhas dos grandes esforços realizados para levar prosperidade, renda e desenvolvimento a essa importantíssima região do Estado, uma região cujo povo, sertanejo, querido, amigo e trabalhador, tem um grande capital humano, se desdobra dia e noite para o desenvolvimento e tem potencialidades muito belas”, destacou o governador.
Todo financiamento será feito com base em projetos que apresentem viabilidade técnica e financeira. O agricultor ou entidade que solicitar o financiamento terá que se comprometer a utilizar as tecnologias aprovadas e testadas pelos órgãos de pesquisa e modernizar as suas atividades agroindustriais. Também precisará adotar assistência técnica adequada ao seu empreendimento, disponibilizada por profissionais competentes, sejam de instituições públicas ou privadas, e incluir, quando necessário, nos seus projetos técnicos, itens voltados para a preservação e recuperação ambiental.
Além da melhoria da produção e agregação de valor aos produtos, o Governo de Minas e o Banco do Nordeste vão estimular a capacitação gerencial e tecnológica necessárias à produção, industrialização, certificação, divulgação e comercialização dos produtos e serviços do setor agropecuário mineiro e colocarão suas instalações à disposição para realização de reuniões, cursos, palestras e seminários vinculados a essas atividades.
Para viabilizar as ações foi assinado um termo de Cooperação Técnica e Financeira entre o BNB e o Governo de Minas, que também tem o objetivo estimular a realização de feiras e exposições agropecuárias e a promoção de produtos regionais, visando difundir e ampliar a sua comercialização, além de estimular a criação de selo de qualidade e de identificação geográfica dos produtos do setor agropecuário mineiro.
“Agora nós observamos que a agricultura de modo especial tem recebido, nos últimos anos, um grande aplauso de todo o Brasil. A famosa âncora verde da economia brasileira vem se consolidando cada vez mais, felizmente para nós, garantindo números positivos para a economia brasileira. E Minas Gerais se orgulha muito de participar desse esforço”, disse Anastasia. 
Em 2011, as exportações do agronegócio de Minas Gerais alcançaram o valor de US$ 9,7 bilhões. O valor recorde apresentou um crescimento de 27,6% em relação a 2010. O desempenho do Estado superou a média nacional do setor, que registrou aumento de 23,8%.
Crédito para desenvolvimento
A solenidade contou a presença do superintendente estadual do BNB, José Mendes Batista, que destacou a importância do crédito para o desenvolvimento dos agricultores da região. “Hoje nós estamos formalizando uma parceria que temos com o Governo do Estado, que é construtiva, focada e desenvolvimentista, o que é muito importante. Nossa intenção é dar perenidade ao trabalho. As pessoas passam, mas o desenvolvimento da região tem que continuar, os projetos têm que continuar. Quase 99% dos nossos produtores são pequenos e nós temos que dar um apoio especial a eles”, destacou.
Para a agricultura familiar, o prazo para pagamento do financiamento pode chegar até 10 anos, com até cinco anos de carência, e juros  que variam entre 1% a 5% ao ano, com bônus de 25% para parcelas pagas pontualmente. Para os médios e grandes produtores, o prazo do financiamento pode chegar até 12 anos com até quatro anos de carência. As atividades de reflorestamento têm prazo diferenciado, podendo chegar até 16 anos com até sete anos de carência. Os juros variam de 5% a 8,5% ao ano, com bônus de 25% para parcelas pagas com pontualidade.

FONTE: Agência Minas

Secretária fala sobre participação do Consea no combate à extrema pobreza


A secretária extraordinária de superação da extrema pobreza do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Ana Fonseca, concedeu no último dia 12 entrevista ao programa Brasília ao Vivo na TV Record. A secretária detalhou o amplo espectro de ações do governo no tema.

A secretária falou do legado deixado pelo governo Lula quando reinstalou o Consea em 2003, no contexto de uma série de instrumentos criados para combater a extrema pobreza e a fome. Sobre o programa Brasil sem Miséria, a secretária afirmou que “este plano existe em função de uma coordenação interministerial, o que o torna bem-sucedido. Há muita gente envolvida no pacto federativo e tivemos uma boa discussão com os intelectuais, com os formadores de opinião, com o Consea, dentre tantos outros”.

Para assistir à entrevista completa, clique aqui
 
Fonte: Ascom/Consea

LEI Nº 20.011, DE 5 DE JANEIRO DE 2012

Dispõe sobre a política estadual de coleta, tratamento e
reciclagem de óleo e gordura de origem vegetal ou animal
de uso culinário e dá outras providências.


O GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS,

O Povo do Estado de Minas Gerais, por seus representantes, decretou e eu, em seu nome, promulgo
a seguinte Lei:
Art. 1º A política estadual de coleta, tratamento e reciclagem de óleo e gordura de origem vegetal
ou animal de uso culinário, regida pelos fundamentos e diretrizes da Política Estadual de Resíduos Sólidos, de
que trata a Lei nº 18.031, de 12 de janeiro de 2009, tem como objetivos:
I – proteger a saúde;
II – prevenir a contaminação do solo e dos recursos hídricos;
III – evitar danos à rede coletora de esgoto e de drenagem de água pluvial;
IV – informar a população dos riscos ambientais causados pelo despejo de restos de óleo e gordura
de origem vegetal ou animal de uso culinário na rede de esgoto e das vantagens dos processos de beneficiamento
desses resíduos;
V – incentivar projetos de beneficiamento de restos de óleo e gordura de origem vegetal ou animal
de uso culinário; e
VI – criar mecanismos que favoreçam a exploração econômica de restos de óleo e gordura de origem
vegetal ou animal de uso culinário, desde a coleta, o transporte e a revenda, até os processos industriais de
sua transformação.
Parágrafo único. Para os fins desta Lei e da Lei nº 18.031, de 2009, óleos e gorduras de origem
vegetal ou animal, de uso culinário, doméstico ou comercial, são resíduos sólidos especiais, sendo necessários
procedimentos especiais para seu recolhimento, reciclagem, tratamento ou disposição final ambientalmente
adequada, observado o disposto na Lei nº 13.766, de 30 de novembro de 2.000.
Art. 2º A política estadual de coleta, tratamento e reciclagem de óleo e gordura de origem vegetal
ou animal de uso culinário compreende as ações desenvolvidas pelo poder público com a finalidade de incentivar
a participação do meio empresarial e do terceiro setor na coleta, no beneficiamento e no descarte ambientalmente
adequado de resíduos de óleo e gordura de origem vegetal ou animal de uso culinário.
Parágrafo único. Incluem-se entre as ações a que se refere o caput :
I – o apoio estratégico para o aprimoramento da atividade econômica e social voltada para a coleta,
o tratamento e a reciclagem de resíduos de gordura e óleo de uso alimentar;
II – o desenvolvimento de campanhas educativas para a conscientização da sociedade sobre os riscos
de danos ambientais oriundos do descarte inadequado dos resíduos de que trata esta Lei na natureza e sobre
as vantagens econômicas e sociais de seu beneficiamento;
III – o incentivo à criação de centros municipais de coleta de resíduos sólidos, por meio de:
a) doação de bem imóvel desafetado de domínio estadual, observada a legislação aplicável;
b) concessão, mediante contrato de direito público, de uso especial, gratuito, de bem patrimonial
do Estado;
c) doação de bens móveis do Estado;
IV – a criação de linhas de crédito;
V – o fomento ao investimento econômico para o estabelecimento de indústrias, empresas e cooperativas
destinadas à reciclagem dos resíduos de que trata esta Lei;
VI – o incentivo à participação da sociedade civil e da iniciativa privada no planejamento e na
implementação de ações e programas governamentais voltados para os fins desta Lei;
VII – o incremento da fiscalização e do monitoramento do descarte de resíduos oriundos da produção
e do uso de óleos e gorduras de origem vegetal e animal;
VIII – a implantação de ações de logística reversa para resíduos com características especiais;
IX – o incentivo à cooperação entre a União, o Estado, os Municípios e as organizações não governamentais
voltadas para a gestão integrada dos resíduos de que trata esta Lei;
X – a promoção de estudos e o desenvolvimento de projetos e programas que atendam aos objetivos
desta Lei;
XI – a realização de diagnóstico técnico do consumo e do descarte de restos de óleo e gordura de
origem vegetal ou animal de uso culinário, especialmente em escala comercial e industrial.
Art. 3º Na implantação da gestão dos resíduos de óleo e gordura de origem vegetal ou animal,
serão atribuídas responsabilidades a serem compartilhadas entre os agentes públicos e privados responsáveis
pela coleta, pelo transporte, pelo armazenamento, pelo tratamento, pela reciclagem e pela disposição final
ambientalmente adequada dos resíduos, conforme dispuser o regulamento.
Art. 4º (VETADO)
Art. 5º (VETADO)
Art. 6º (VETADO)
Art. 7º (VETADO)
Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Palácio Tiradentes, em Belo Horizonte, aos 5 de janeiro de 2012; 224º da Inconfidência Mineira e
191º da Independência do Brasil.
ANTONIO AUGUSTO JUNHO ANASTASIA
Danilo de Castro
Maria Coeli Simões Pires
Renata Maria Paes de Vilhena
Adriano Magalhães Chaves




Sustentabilidade - Ações sustentáveis e reciclagem

Evento aborda importância da sociedade civil para a segurança alimentar

O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) promove no próximo dia 24, em Porto Alegre (RS), o Colóquio “A importância da sociedade civil nacional e internacional para a segurança alimentar e nutricional”.
O evento terá a participação do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, e do diretor geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), José Grazaino.
O presidente do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea-RS), Miguel Montaña, e o conselheiro do Consea nacional, Edélcio Vigna, participam do colóquio, além do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch.
O objetivo é evidenciar  que a participação ativa da sociedade civil é fundamental para o sucesso das políticas brasileiras e internacionais de segurança alimentar e nutricional.

Confira a programação:



Fonte: Ascom/Consea

Abertas inscrições para o Prêmio ANA 2012

Desde dezembro estão abertas as inscrições para a quarta edição do Prêmio ANA, promovido pela Agência Nacional de Águas que, a cada dois anos, reconhece iniciativas que se destacam pela excelência e contribuição para a gestão e o uso sustentável dos recursos hídricos do País.

Nesta edição, serão oito categorias de premiação: governo; empresas; ONGs; pesquisa e inovação tecnológica; organismos de bacia; ensino; imprensa; e 'água e patrimônio cultural'. As inscrições podem ser feitas até o dia 1º de junho.

Instituído em 2006, o Prêmio ANA busca identificar ações que estimulam o combate à poluição e ao desperdício e apontam caminhos para assegurar água de boa qualidade e em quantidade suficiente para o desenvolvimento das atuais e futuras gerações.

A avaliação dos trabalhos será feita por uma Comissão Julgadora composta por membros externos à ANA com notório saber na área de recursos hídricos ou meio ambiente. Um representante da Agência presidirá o grupo, mas sem direito a voto. Os critérios de avaliação consideram os seguintes aspectos: efetividade; impacto social; potencial de divulgação/replicação; adesão social; originalidade e sustentabilidade financeira.

A Comissão Julgadora vai selecionar três iniciativas finalistas e uma vencedora em cada categoria, que serão conhecidas em solenidade de premiação no dia 5 de dezembro de 2012 no Teatro Cultural da Caixa, em Brasília. A Caixa Econômica Federal é a patrocinadora exclusiva do Prêmio ANA. Os oito vencedores receberão o Troféu Prêmio ANA, concebido pelo mestre vidreiro italiano Mário Seguso.

O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no hotsite do Prêmio: www.ana.gov.br/premio. 
Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail premioana@ana.gov.br ou  pelo telefone (61) 2109-5412.

Fonte: Ascom/ANA

Hortas caseiras e comunitárias

Implantação de Hortas Caseiras e Comunitárias em Itabira – MG, a contribuição da Funcesi para o acesso a alimentação saudável.

Vieira 1, Poliana C. R.; Carvalho2, Henrique D.; Brasil3, Elvécio R.; Lima4, José Carlos F.; Marques5 Poliana C. S.; Figueiredo6 Fabiane D.


Resumo:
A Agricultura urbana e o autoconsumo de hortaliças, possibilita o aumento da disponibilidade de alimentos e a diversificação da dieta das famílias diminuído os riscos de insegurança alimentar e nutricional. A Funcesi através de convênio firmado com o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome desenvolveu em Itabira nos anos de 2006-2007 o projeto “Alimentação Saudável: Implantação de hortas caseiras e Comunitárias. Foram implantadas 78 hortas, distribuídas em associações, fundações comunidades, creches, escolas, asilo e entidades. O Projeto atendeu a 310 participantes diretos, nas hortas das associações, Funcesi e horta modelo. Além da implantação das hortas com benefício diretos as famílias foram ministrados cursos e palestras para 2510 pessoas de diversas instituições, dentre elas associações, creches, escolas, asilos, etc. Os treinamentos realizados para os beneficiários foram Técnicas de Cultivo, Ecologia e Meio Ambiente, Segurança Alimentar e Remédios Caseiros. A produção de alimentos chegou a 3,6 kg de hortaliças por família por mês aumentando a disponibilidade de alimentos ricos em nutrientes para as famílias e entidades envolvidas. Em algumas hortas não foi possível determinar a quantidade de alimentos produzidos, pois o consumo foi feito de forma aleatória de acordo com a necessidade de cada local. O Projeto Alimentação Saudável: Programa de Implantação de Hortas Caseiras e Comunitárias é resultado da mobilização existente em todo o país pelo desenvolvimento da qualidade, produtividade e melhor distribuição de renda no Brasil. O Programa nasceu da convergência de esforços do curso de Nutrição da Faculdade Itabirana de Saúde FISA, mantida pela Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira Funcesi, da Prefeitura Municipal de Itabira e do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, com vistas a assegurar benefícios às famílias participantes do projeto, por meio da implantação de políticas públicas inclusivas que possam assegurar aos cidadãos dignidade, trabalho e renda.
Palavras Chaves: Segurança alimentar; agroecologia, hortas; alimentação saudável.

INTRODUÇÃO
Itabira está localizada na região central do estado e de acordo com o Senso Agropecuário e Contagem da População realizado pelo IBGE no ano de 2007, o município de Itabira possui no total 105.014 habitantes, distribuídos em 97.443 pessoas nas áreas urbanas e 7.571 pessoas na zona rural (BRASIL 2007a).

1- Nutricionista, Mestre em Ciência da Nutrição - Docente Funcesi, 2Economista, Mestre e Doutorando em Economia Aplicada – Docente da Funcesi; 3Administrador de Empresas, Mestre em Administração– Docente da Funcesi, 4  Filósofo, Mestre em Administração Pública - Docente da Funcesi. 5Aluna do curso de Nutrição da FISA/Funcesi , 5Aluna de Pós Graduação do Curso de Planejamento e Gestão Ambiental da Funcesi.


O setor agrícola não é a principal fonte da economia Itabirana que se caracteriza pela atividade mineradora e comércio, porém no ano de 2006 a cidade produziu 151 toneladas de feijão, 1145 toneladas de milho, 1248 toneladas de banana, 24 toneladas de café, 85 toneladas de goiaba, 600 toneladas de laranja, 144 toneladas de limão, 43
toneladas de manga, 85 toneladas de pêssego e 150 toneladas  de tangerina (BRASIL,2006).
Na saúde pública se destaca por alto índice de mortalidade por doenças do aparelho circulatório que representaram 24,6% do total de mortes hospitalares no ano de 2007, seguidos das doenças do aparelho respiratório 15,7%, doenças infecciosas e parasitárias 8,8% e doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas – 4,8% do total (BRASIL,2007b).
Em 2000, 447 crianças de ambos os sexos até seis anos de idade do Bairro Pedreira do Instituto foram avaliadas através de um mutirão e apenas 36,2% das crianças avaliadas foram consideradas eutróficas, ou de peso normal para idade e/ou estatura (ALBERTI et al 2002).
Segundo Weid (2004) existem experiências com a agricultura urbana, porém em espaços limitados, onde a população residente é socialmente marginalizada e a produção de hortaliças voltada ao autoconsumo, possibilita o aumento da disponibilidade de alimentos e a diversificação da dieta das famílias. Além disso, o exercício da agricultura urbana vem permitindo que as famílias envolvidas fortaleçam seus laços de vida comunitária, condição indispensável para a emergência de estratégias coletivas para fazer frente aos riscos de insegurança alimentar e nutricional.
O uso produtivo de espaços urbanos proporciona a limpeza destas áreas e uma melhoria considerável ao ambiente local, com impacto positivo na sanitização pública. Materiais como embalagens, pneus e entulhos são utilizados para a contenção de pequenas encostas e canteiros e, resíduos orgânicos domiciliares são aproveitados na produção de composto utilizado como adubo (ALMEIDA, 2004).
Através de um convênio estabelecido entre o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome e a Funcesi, tendo como parceiros a Prefeitura Municipal de Itabira e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater) foi desenvolvido em Itabira nos anos de 2006-2007 o projeto “Alimentação Saudável: Implantação de Hortas Caseiras e Comunitárias”

OBJETIVOS

Promover a Segurança Alimentar e Nutricional através do aumento da oferta de alimentos de elevado poder nutritivo como hortaliças a grupos sociais vulneráveis à fome. Promover a adoção de hábitos alimentares saudáveis, através da educação nutricional.
Promover a integração entre a academia e a comunidade, principalmente entre as diversas associações de bairros e classes existentes em Itabira onde o crescimento dos alunos faz-se mediante a aplicação do conteúdo aprendido em sala de aula e a população pode se beneficiar entrando em contato com as mais recentes tecnologias e recebendo assistência profissional gratuita.

METODOLOGIA
           
            Foi implantada uma horta modelo de 4 hectares na Fazenda São Lourenço, situada no Capão de Cima / Posto Agropecuário, na Zona Rural de Itabira, Minas Gerais. Após a implantação dessa horta modelo, as mudas foram doadas para creches, escolas e associações, locais em que moravam pessoas de baixa renda, objetivando a implantação de hortas caseiras que iriam melhorar a alimentação dessas famílias, diminuindo assim os índices de desnutrição e obesidade.
A metodologia utilizada para implantação das hortas foi à participativa (OLIVEIRA E OLIVEIRA, 1982). Treze famílias participaram da horta modelo sendo sua seleção feita de forma aleatória entre os que se inscreveram no programa e apresentavam-se dentro das características estabelecidas para a população alvo.
O manejo da horta era todo orgânico e feito pelas famílias cadastradas no projeto. A produção era destinada ao consumo da família e o excedente poderia ser comercializado pela família, a renda obtida era destinada ao aumento o poder aquisitivo da família.
           

RESULTADOS

O Projeto Hortas Comunitárias incorporou um expressivo número de participantes no município de Itabira. Dentro do universo dos beneficiários podemos destacar a inserção do projeto entre as famílias que participam das hortas, dos alunos e integrantes das escolas, creches e asilo e dos agentes das associações e entidades da cidade.
Foram implantadas 78 hortas, distribuídas em associações, fundações comunidades, creches, escolas, asilo e entidades.
No que diz respeito às famílias cadastradas pelo projeto que participam nas hortas, o número de beneficiários diretos pela implantação teve a participação direta de 68 famílias, resultado significativo levando-se em conta que a média de pessoas por família atendida é de 4,55.
Na decomposição desses dados para as famílias cadastradas, a horta da Associação dos Amigos da Serra dos Alves contou com a participação de 42 beneficiários, a Associação de Amigos do Maná apresentou em sua horta o número de 73 colaboradores, a horta dos funcionários da Funcesi conta com 63 beneficiários, a da Comunidade Borrachudo conta com 9 beneficiários e a horta modelo com 63 pessoas sendo beneficiadas diretamente.
Gráfico 1- Número de Famílias beneficiadas diretamente pelo projeto.

O Projeto Hortas Comunitárias apresentou, levando em consideração as hortas supracitadas, um número de 310 participantes diretos, nas hortas das associações, Funcesi e horta modelo.
A participação das escolas, creche e do asilo foi bastante expressiva e essencial para o sucesso na implantação do projeto, no total 2955 pessoas se beneficiaram das atividades nestas instituições, podemos destacar a participação dos alunos e colaboradores do Centro Estadual de Educação Continuada Professora Dorinha Ferreira - CESEC, contando com 1119 pessoas, assim como da Escola Antonina Pereira, Escola Estadual Mestre Zeca Amâncio - EEMZA e Escola Estadual Polivalente - PREMEM, com 886, 520 e 200 participantes respectivamente. O Asilo Sociedade São Vicente contou com a participação de 100 beneficiários diretos na implantação da horta, da Escola Municipal Serra dos Linhares com 75 participantes e da Creche Menino de Jesus com 55 beneficiários.
Gráfico 2- Número de beneficiários por entidade.

O projeto Alimentação saudável – Implantação de Hortas Caseiras e Comunitárias, treinou 2510 pessoas de diversas instituições, dentre elas associações, creches, escolas, asilos, etc. Esse número expressivo de pessoas treinadas representou um papel fundamental na estruturação do Projeto Hortas Comunitárias no município de Itabira. Os treinamentos realizados para os beneficiários foram Técnicas de Cultivo, Ecologia e Meio Ambiente, Segurança Alimentar e Remédios Caseiros, fornecendo toda a base ao início dos trabalhos e suporte na consecução deste aos beneficiários. Assim a comunidade pode ter acesso à informação de qualidade e os alunos contato direto com a realidade local, estreitando-se assim o vínculo entre a academia e a comunidade.
Em relação ao acesso das famílias a alimentos saudáveis e fontes de vitaminas minerais, 70% da produção era para consumo próprio e os 30% restantes poderiam ser comercializados com o objetivo de melhorar o poder aquisitivo das famílias.  A produção total da horta modelo em todo o período do projeto foi de 6698 molhos entre alface, cebolinha, brócolis, almeirão, salsa, mostarda e couve. Foram produzidos também 1100 kg de quiabo, 153 kg de repolho, 94 kg de beterraba, 36 kg de alho, 9 kg de jiló, 50 kg de abobrinha e 55 kg de cenoura. Essa produção, dividida pelas 13 famílias que trabalham na horta modelo, gerou cerca de 6,4 kg de hortaliças e 27 molhos de folhosos por mês, superando a meta de abastecimento do projeto que era de 3,6 kg de hortaliças por família por mês. Em relação às outras hortas não foi possível determinar a quantidade de alimentos produzidos, visto que muitas eram caseiras ou em escolas e o consumo das hortaliças foi feito de forma aleatória de acordo com a necessidade de cada local.

CONCLUSÃO

O Projeto Alimentação Saudável: Programa de Implantação de Hortas Caseiras e Comunitárias é resultado da mobilização existente em todo o país pelo desenvolvimento da qualidade, produtividade e melhor distribuição de renda no Brasil. O Programa nasceu da convergência de esforços do curso de Nutrição da Faculdade Itabirana de Saúde FISA, mantida pela Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira Funcesi, da Prefeitura Municipal de Itabira e do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, com vistas a assegurar benefícios às famílias participantes do projeto, por meio da implantação de políticas públicas inclusivas que possam assegurar aos cidadãos dignidade, trabalho e renda.
A integração dos recursos disponibilizados por essas organizações que compuseram a parceria permitiu o estabelecimento de uma sinergia que teve como finalidade contribuir não somente para o melhoramento das condições das famílias participantes do programa, mas também da sociedade como um todo.
Este projeto refletiu a sensibilidade do governo federal com relação àquelas pessoas que se encontram excluídas da condição de cidadãos.
A Funcesi, em parceria com o já referido Ministério e com a Prefeitura Municipal de Itabira, não poupou esforços para que as ações do projeto fossem eficazes na promoção da Segurança Alimentar e Nutricional, no combate à fome e às carências nutricionais de vitaminas e minerais através do aumento da oferta de alimentos de elevado poder nutritivo de grupos sociais vulneráveis à fome e no estímulo ao desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis, propiciando benefícios diversos para a saúde das pessoas. 
As famílias que participaram do Programa Hortas Comunitárias se beneficiaram de várias formas: além da obtenção de alimento, trabalho e renda, pode-se ainda destacar a produção de alimentos estritamente saudáveis, proporcionando qualidade de vida aos beneficiários e à comunidade. Ao produzir para comercializar o resultado das hortas, as famílias tiveram mais uma possibilidade de gerar renda, sem deixar a atividade principal de plantio de alimentos - viabilizando, não somente uma fonte alternativa de renda, mas também do próprio sustento da casa de cada uma dessas famílias.
Todas as verduras e legumes foram cultivados sem nenhum tipo de agrotóxico, sendo utilizados materiais orgânicos, como o esterco, e ainda defensivos alternativos que protegem o plantio, mas não oferecem riscos à saúde das pessoas.
O Programa de Implantação de Hortas Caseiras e Comunitárias despertou o interesse de alunos, professores, pesquisadores e membros da comunidade externa pela forma limpa de se fazer agricultura, com ganhos ambientais significativos.
Além da ação desempenhada junto à população e aos beneficiários diretos, o programa ainda revelou um caráter multiplicador, pois todos os beneficiários tornaram-se divulgadores das informações obtidas nos treinamentos que foram realizados. Cumpre salientar que a experiência foi muito rica e proveitosa, sobretudo para os alunos do curso de nutrição da Funcesi, pois eles tiveram oportunidade de participar diretamente do projeto, conciliando a prática com a teoria adquirida em sala de aula e estabelecendo um contato direto com pessoas, que de forma geral, vivem à margem da cidadania.
Nesta experiência inédita de integração na região do município de Itabira, alguns problemas foram encontrados ao longo do processo, como a falta de um estabelecimento prévio de avaliação da qualidade do solo, erosões e indisponibilidade de água em algumas hortas, além da ocorrência de um elevado índice de precipitações chuvosas que, em algumas hortas específicas, chegaram a atrasar o processo de implantação. Apesar dessas dificuldades, o programa apresentou um saldo positivo na medida em que as metas foram atingidas e superadas, demonstrando, sobretudo, a potencialidade dos componentes da parceria, dos líderes comunitários, das famílias que se envolveram diretamente no programa, das pessoas que participaram dos treinamentos e de todos que trabalharam ao longo do processo.
O Programa Hortas Comunitárias incorporou um significativo número de participantes do município de Itabira, possibilitou a mobilização de famílias, fortaleceu os laços comunitários e otimizou os recursos disponibilizados, pois foi administrado de forma eficiente e eficaz e, desse modo, produziu resultados expressivos que superaram as expectativas dos participantes.



REFERÊNCIAS

ALBERTI, L. R.; VASCONCELLOS, L. S.;  XAVIER, C. C.; WERNECK, G. A. F. Avaliação do estado nutricional de crianças de uma região atendida pelo programa de saúde da família em Itabira – MG. Rev. méd. Minas Gerais;12(1):2-6, jan.-mar. 2002.

ALMEIDA, D. Agricultura Urbana e Segurança Alimentar em Belo Horizonte: cultivando uma cidade sustentável. Agriculturas – experiências em Agroecologia. Rio de Janeiro, v. 1, n. 0, p. 25-28, 2004.


BRASILa. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.Contagem da População 2007.. disponível em http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/contagem2007> Acesso em: 13 de mar. de 2007a.

BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Agropecuário 2006 - Resultados Preliminares. disponível em <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/default.php> Acesso em: 15 de mar. de 2007.

BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Morbidaddes hospitalares 2007. disponível em <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/default.php> Acesso em: 15 de mar. de 2007b.

OLIVEIRA, R.D. e OLIVEIRA, M.D. Pesquisa social educativa: conhecer a realidade para poder transformá-la. In: BRANDÃO, C.R. Pesquisa participante, 2.ed. São Paulo, Ed. Brasiliense, 1982. p. 17-33.

WEID, J. M von der. Agroecologia: condição para a segurança alimentar. Agriculturas – Experiências em Agroecologia. Rio de Janeiro, v. 1, n. 0, p. 4–7, 2004.